FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

A reconstrução da sociedade brasileira, com alicerces mais democráticos e humanos, mais equitativos, tornando-se está na maior aspiração de milhões de cidadãos, principalmente os mais conscientes. Até os menos comprometidos com as manifestações sociais, desatentos para os sinais explícitos de emergentes e desagradáveis fenômenos de massa, reconhecem que o atual desenvolvimento econômico-social do país não está superando as mil e uma indisfarçáveis armadilhas da exclusão social, tampouco garantindo uma vida minimamente digna para os que se encontram às portas da chamada miséria social. Nos últimos 30 anos, um modelo econômico perverso foi edificado por uma elite política, fisiológica e imediatista em sua quase totalidade, que enxerga socialmente muito pouco e não entende patavina de participação social, exceto nos meses que antecedem as eleições, quando então se metamorfoseiam em intrépidos defensores de pobres e excluídos. Num protestar apenas verbal, que mascara um estupidificante conformismo alienado, iludem os menos prevenidos e incautos, os despolitizados manadas, eternas presas fáceis dos sectários. Que prometem, de imediato, um paraíso terrestre sem comandantes nem comandados, quando o Estado Absoluto tomará conta de tudo e de todos, para felicidade geral das panelinhas.

Os resultados divulgados por instituições científicas brasileiras idôneas, após quase três décadas de desumanos desequilíbrios, não poderiam ser piores: estamos situados ainda num humilhante lugar na escala mundial de desenvolvimento social, além de sermos possuidores de uma péssima distribuição de renda. Em outras palavras: desprezou-se a educação de primeiro e segundo graus, as políticas preventivas de saúde pública ficaram no ora veja, a política habitacional beneficiou um percentual mínimo da classe trabalhadora, o transporte de massa virou drama cotidiano, onde as tarifas públicas vêm sendo uma das forças estranguladoras das já minguadas rendas familiares. Asfixiou-se a cidadania de dezenas de milhões de brasileiros em troca do acelerado enriquecimento de uma minoria, perpetuando uma situação cavilosa, repleta de descabidos privilégios.

O momento que estamos vivenciando não permite que os mais responsáveis apenas ouçam os fortes clamores de um povo em desespero. Urge um outro estilo de vida política, mais voltado para os prioritários interesses de uma maioria expressiva. Faz-se necessário ampliar a participação de todos os segmentos, a partir do envolvimento dos lúcidos, fortalecendo uma vontade coletiva na direção de mudanças que erradiquem a opressão, a marginalização. O feminicídio, o descaramento machista e a dependência de muitos milhões.

Antigamente, oprimia-se pela força bruta. Hoje, os procedimentos são bem mais sofisticados, hipnóticos até, também publicitários. Somente com o fortalecimento de um ver-melhor, serão refugadas as ingenuidades e as dominações serão ultrapassadas. O caminho da libertação do povo brasileiro exigirá muita unidade das forças políticas mais consequentes, não-fisiológicas, sejam conservadoras ou progressistas.

As palavras do ex-governador Miguel Arraes, de Pernambuco, pronunciadas há muitos anos na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, servem como indicador de primeira qualidade:

“Temos a obrigação, qualquer que seja nosso passado, de agir de forma impessoal e de pensar em alternativas que sejam do interesse da maioria do povo, sem preconceitos de qualquer natureza, sobretudo nesta hora em que a população vive angustiada, receosa do dia de amanhã, à espera de palavras e atos que comecem a inverter os rumos a que foi levado o nosso país.”

Com um nível geral mais elevado de educabilidade, caminhando, e cantando, e seguindo a canção, seguramente alcançaremos, a partir de 2026, patamares socioeconômicos menos vexatórios, essencialmente não-autofágicos. Sejamos eleitores cada vez mais conscientizados, beneficiando os amanhãs dos nossos descendentes.

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