FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Tenho uma sólida confiança nos destinos futuros da sociedade brasileira, apesar dos últimos acontecimentos do STF e de patifarias vorcarianas. Certa feita, num dos seus pronunciamentos balizadores, Martin Luther King afirmou com total convicção:

Hoje, nesta noite do mundo e na esperança da Boa Nova, afirmo com audácia minha fé no futuro da humanidade. Nego-me a concordar com a opinião daqueles que acreditam que o homem é, até certo ponto, cativo da noite sem estrelas, do racismo e da guerra, e que a radiante aurora da paz e da fraternidade jamais será uma realidade. Creio firmemente que, mesmo entre os obuses que atiram e canhões que ressoam, permanece a esperança de um radiante amanhecer. Atrevo-me a acreditar que um dia todos os habitantes da Terra poderão ter três refeições por dia para a vida do seu corpo, educação e cultura para o aprimoramento de seu espírito, igualdade e liberdade para a vida de seu coração. Creio também que um dia toda a humanidade reconhecerá em Deus a fonte do seu amor.

Nas últimas duas décadas, múltiplas alterações dos cenários econômicos e sociais ocorreram no mundo inteiro. E inúmeras dessas mudanças provocaram mais angústias que esperanças, posto que foram implementadas sem uma atenção acurada sobre aspectos não financeiro-contábeis. Inúmeras empresas, preocupadas com a necessidade de redução de seus custos, e ainda com a urgência em melhorar a qualidade dos seus produtos e serviços, com o surgimento de novas oportunidades mercadológicas e com a busca pela ampliação incessante da produtividade, que favorecesse uma mais confortável posição competitiva, cometeram grosseiros erros estratégicos. E os principais foram citados por John P. Kotter, em seu livro Liderando Mudança:

Permitir complacência excessiva – não estabelecer, entre gerentes e subordinados, um senso de urgência, muitas vezes confundindo urgência com ansiedade, criando resistências sólidas.

Falhar na criação de uma coalizão administrativa forte, abstraindo competências e carismas, sem acumular qualidades necessárias para ultrapassar tradições e inércias.

Subestimar o poder da visão – uma visão sensata é o fator mais importante num processo de transformação nacional.

Comunicar a missão de forma ineficiente, efetivando poucas reuniões ou enviando apenas alguns memorandos, gastado muito tempo com discursos, enquanto as chefias intermediárias permanecem em silêncio; possibilitar o crescimento de um ceticismo geral, minando a confiança estabelecida com as promessas efetivadas.

Permitir que obstáculos bloqueiem a nova visão – um obstáculo pode interromper todo um processo de mudança, principalmente quando se trata da própria estrutura do país.

Falhar no fomento de vitórias a curto prazo – as reais transformações levando tempo, embora se saiba que, sem vitórias a curto prazo, muitos desanimam ou resistem ativamente.

Declarar vitória prematuramente – contar com o ovo ainda no fiofó da galinha pode tornar-se um erro estratégico irreversível.

Negligenciar a incorporação sólida de mudanças à cultura corporativa – sem enraizamentos, haverá deteriorações, tão logo sejam abandonadas as pressões utilizadas no processo de mudança.

As principais consequências dos erros acima são enumeradas pelo próprio Kotter:

 Estratégias não são implementadas corretamente.

 Aquisições não alcançam os efeitos esperados.

 Numa reestruturação organizacional lenta e dispendiosa, os custos não são mantidos sob controle e os programas não apresentam os resultados pretendidos.

Somente a partir de uma crescente assimilação dos balizamentos acima, a Nação Brasileira compreenderá os versos da Cora Coralina, uma poetisa que não tinha o curso primário completo, mas era uma cidadã que refletia otimamente os sentimentos do Mundo. Uma lição que todo eleitor brasileiro consciente deveria guardar na área crítica mais privilegiada da sua memória:

O tempo muito me ensinou,
ensinou a amar a vida,
não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a pensamentos negativos,
acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.

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