MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Ano passado, publiquei um pitaco sobre os maiores bilionários do mundo. Recentemente, passeando pelo Facebook, deparei com uma discussão sobre uma lista dos maiores bilionários do Brasil, que havia sido publicada em alguma revista. Vejam alguns dos comentários:

“99 por cento dos ricos, já nasceram ricos.”

“90% das fortunas dessas familias vem de várias geraçoes sendo a maioria de familias escravocratas.”

“Acabar com a desigualdade sem expropriar os bilionários não tem como. Pra alguém ter muito outros precisam ter pouco.”

“A expressão ‘gerar riqueza’ é na verdade uma forma bonita de dizer ‘tirar de outro’.”

“A riqueza exorbitante sempre é oriunda de uma exploração ou de grilagem.”

Mesmo sendo o pessimista que sou, fiquei espantado. De onde vêm tanta inveja e tanto preconceito? Que se pode esperar de uma sociedade que cultiva estes valores e essa forma de pensar? Lembrei-me de um programa de TV onde uma celebridade qualquer disse “O brasileiro paga duzentos só para fazer seu vizinho perder vinte”.

Como além de pessimista sou curioso, resolvi dar uma olhadinha na tal lista. Adivinhem? Entre os dez brasileiros mais ricos, nenhum é descendente de “escravocratas” ou coisa parecida. Nove dos dez construíram sua fortuna pessoalmente; os únicos da lista (7º lugar) cuja riqueza vem de gerações anteriores são os filhos e netos do banqueiro Joseph Safra – vale lembrar que, no mundo inteiro, os governos dizem que “todos são iguais perante a lei”, mas os banqueiros sempre são mais iguais que os outros.

Outro ponto a destacar: a fortuna de cada um não é uma pilha de dinheiro que eles têm em casa ou na conta bancária, mas o valor estimado das empresas que cada um comanda. Não é um valor que está disponível para ser “expropriado”, como querem os justiceiros do Facebook.

Com esse pensamento, não é de admirar que o país esteja onde está. Ao invés de acreditar no trabalho, nossos jovens cultivam o ressentimento, e ao invés de entender os princípios básicos da economia, repetem e cultivam os dogmas e chavões mais imbecis. Não posso deixar de acreditar que nosso sistema educacional tem muito a ver com tudo isso.

Enfim, segue abaixo a tal lista dos “dez mais”; as citações que coloquei (pescadas pelo Google) não pretendem ser uma mini-biografia, mas apenas mostrar como e quando surgiu a fortuna de cada um. Os valores são em dólares.

1 – Eduardo Saverin, 39 anos, 19 bilhões, Facebook:

“Seu pai Roberto, filho de um imigrante judeu-romeno era um industrial brasileiro que trabalhava com exportação, vestuário, transporte e imobiliário.”

2 – Jorge Paulo Lemann, 82 anos, 19 bilhões, InBev / 3G capital:

“A família Lemann tem suas origens na cidade de Langnau im Emmental, na Suíça, onde atuava no comércio de laticínios. No início do século XX o país passava por uma forte crise econômica, o que levou três irmãos da família a optar pela imigração. Um deles foi para os Estados Unidos, outro para a Argentina e Paul Lemann, pai de Jorge Paulo, para o Brasil.”

3 – Jorge Moll Filho, 76 anos, 13 bilhões, Rede D´Or:

“…nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1945. Formou-se em medicina e se especializou como neurocirurgião. Em 1977, com 32 anos, fez seu primeiro investimento, o Grupo Lab. No mesmo ano inaugurou sua primeira unidade, a Cardiolab, que trabalhava com ultrassonografias e ecocardiografias.”

4 – Marcel Telles, 71 anos, 13 bilhões, InBev / 3G capital:

“Filho de um piloto de avião […] Telles começou por baixo no mercado. Sua função era conferir boletos da Bolsa, entre meia-noite e 6h da manhã. Iniciou sua carreira no mundo financeiro aos 22 anos, quando entrou no banco Garantia, fundado por Jorge Paulo Lemann, no Rio de Janeiro. Telles começou como liquidante, um office boy de luxo que levava papéis negociados de um lado para o outro do escritório.”

5 – Carlos Alberto Sicupira, 73 anos, 10 bilhões, InBev / 3G capital:

“Filho de uma dona de casa e um funcionário público que fez carreira no Banco do Brasil e no Banco Central […] começou a trabalhar negociando carros usados ao lado de um amigo. Depois, passou a revender calças jeans que comprava nos Estados Unidos. Tudo isso antes dos 17 anos, quando se emancipou dos pais para poder comprar uma carta-patente de uma distribuidora de valores. Ele não havia nem começado a faculdade.”

6 – André Esteves, 53 anos, 8 bilhões, banco BTG Pactual:

“André Santos Esteves nasceu em uma família de classe média do bairro da Tijuca e formou-se em Ciência da Computação e Matemática pela UFRJ.Em 1989, começou a trabalhar no Banco Pactual como analista de sistemas, ainda na época da faculdade, aos 21 anos. Quatro anos mais tarde, tornou-se sócio da companhia.”

7 – Família Safra, 7 bilhões, Banco Safra:

“Joseph Safra nasceu no Líbano. Seu pai (oriundo da Síria), havia imigrado para Beirute nos anos 20, onde se estabeleceu fundando o Banco Jacob E. Safra. Nos anos 50, a família imigrou para o Brasil, fugindo da perseguição aos judeus no Oriente Médio, e fundou o Banco Safra em 1957.”

8 – Alexandre Behring, 54 anos, 7 bilhões, InBev / 3G capital:

“Nasceu no Rio de Janeiro, em 1967. É formado em engenharia elétrica pela PUC-RJ. Em 1989, sua primeira empresa: foi co-fundador de um grupo de tecnologia chamada Modus OSI Tecnologias…”

9 – Alceu Elias Feldman, 71 anos, 6 bilhões, Fertipar:

“Natural de Santa Catarina, é formado em agronomia pela UFPR. Começou a trajetória profissional como vendedor de fertilizante na Ultrafértil. Morou em várias cidades brasileiras, o que o ajudou a entender a fundo como funcionava uma empresa de fertilizantes. A Fertipar começou em 1980, em um armazém alugado, na cidade de Paranaguá.”

10 – Luíza Trajano, 72 anos, 5 bilhões, Magazine Luíza / Franco Bittar Garcia (neto de Luíza), 37 anos, 3,4 bilhões:

“O Magazine Luiza foi fundado em 1957 em Franca, interior de São Paulo, quando o casal Luiza Trajano Donato, uma balconista, e Pelegrino José Donato, um caixeiro-viajante, adquiriram uma pequena loja de presentes. Aos 12 anos, Luiza Helena Trajano, sobrinha dos fundadores, já havia tido a experiência de trabalhar na companhia durante suas férias escolares. Mas foi aos 18 anos que ela ingressou efetivamente na empresa, passando por todos os departamentos até assumir a superintendência da companhia, em 1991.”

Observação: o valor de mercado das empresas citadas varia diariamente, e portanto o valor estimado da “fortuna” de cada um, também.

8 pensou em “POR QUE NÃO ACREDITO QUE O BRASIL VAI MELHORAR

  1. As frases de comentários pinçadas acima refletem o pensamento marxista do século XIX da mais valia, de que a quantidade de riqueza é fixa e que para alguém ficar rico, outro tem que empobrecer. Isso já foi desmistificado há muito tempo, porém nas escolas os professores oriundos das fefelechs da vida ainda ensinam seus alunos assim.

    A história do vizinho invejoso não se aplica em uma sociedade onde a maioria das pessoas é formada por conservadores, que acreditam em crescimento pelo mérito e esforço. É óbvio que haverão os invejosos, mas petistas tem em todo lado.

    O país está onde está, pois muitos da elite financeira (alguns estão na lista acima) não querem perder suas posições e preferem manter a sociedade dividida. Para tanto estimulam a luta de classes. Não devemos esquecer que toda “revolução popular” na história foi financiada por elites financeiras.

    No mais, eu acredito que o Brasil possa melhorar em curto/médio espaço de tempo. Motivos? A grandeza e riqueza natural do país, tem um povo miscigenado que não vai se dividir em raças e castas, este mesmo povo tem iniciativa e empreendedorismo para criar.

    O que precisa para chegar lá? A base tem que vir de uma educação de qualidade e sem militâncias.

    Quais os sinais de que já há o início de uma mudança? O desespero dos poderosos com a atual rumo que o país está tomando.

    Já está tudo garantido então para o país virar uma potência? Não, ainda falta a população acreditar de forma convicta que temos uma vocação, porém precisa de esforço, sacrifício e trabalho para chegar lá.

  2. Marcelo.

    O móbil dessa gente tem um nome: Inveja. Como são pessoas que não conseguem fazer nada de produtivo, porque sua vocação é ficar o dia todo nas redes sociais, aliam-se aos nossos esquerdistas de I-phone, que também são inúteis, não produzem nada e acreditam que as demais pessoas têm uma dívida com eles, chega-se a esse “estado de arte”. As pessoas que chegaram a esse top 10, com certeza, levantavam cedo, dormiam tarde, não tinham feriado, dia santo, nem fim de semana, aproveitavam todas as oportunidades possíveis, nunca ficaram esperando a “mesada” do pai. Para quem acorda ao meio-dia e vai tomar café da manha esse horário, volta ara ficar nas redes sociais até as 44 da manhã, com certeza, a única forma de compensar a inveja é inventar essas barbaridades.

  3. Inicio como o João: No mais, eu acredito que o Brasil possa melhorar em curto/médio espaço de tempo. MAS CONCLUO de forma diversa: Só irá melhorar se surgir no horizonte político (o que seria um verdadeiro milagre), brasileiros que desejassem transformar o BRASIL em uma grande potência.
    Nossos políticos, em sua imensa maioria, só pensam nos próprios bolsos e desejam ardentemente o conteúdo de qualquer cofre público. Uma lástima que um país com tanto POTENCIAL caia sempre em mãos erradas quando o brasileiro vai até as urnas. A honrosa exceção à regra foi o tal JMB, que, por minha ótica, faz um excelente governo, dadas as circunstâncias e o momento do tal mundo civilizado.

    .Não faço segredo da minha verve conservadora na política e nos costumes somados a minha simpatia à iniciativa liberal na economia. Recorro a Roland Bartes: Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra» . “Governos perfeitos jamais encontraremos fora dos sonhos.” Luiz Carlos Sancho de Panza.

  4. Marcelo Bertoluci,

    Você e tampa de crush em suas análises.

    Leio todas e fico cada vez mais sabido, cauteloso e cético quando o tema trata do Brasil, país corrupto, onde todos os chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário são ladrões.

  5. Essa dor-de-cotovelo (e a necessidade compulsiva de culpar outros pela nossa incompetência) é coisa típica de comunista. É só seguir o roteiro: educação ideológica de péssima qualidade (Paulo Freire) — mania de perseguição (o eterno oprimido) — permanente ressentimento por tudo que dá certo no “primeiro mundo” — filiação a partido de esquerda.
    Pode um país assim dar certo?

  6. Em seu excelente livro Income and Wealth (Renda e Riqueza), de 2006, o autor Alan Reynolds escreve o seguinte:

    Os dois jovens fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin, rapidamente ganharam algo em torno de US$ 12 bilhões cada um. Como conseguiram essa façanha? Criando um mecanismo de busca que facilita nossa informação, aumenta nossa educação e cultura, e melhora nossa eficiência em termos de compras.

    Por que alguém deveria se importar com quanto dinheiro ganham os fundadores da Google, da Apple ou da Microsoft? Há aqueles que reclamam e que dizem que tais pessoas se apossaram de uma “fatia maior que a necessária” da renda. Consequentemente, ao se apropriarem de um “pedaço maior da renda disponível”, todos nós ficamos mais pobres. Faz sentido?

    Para começar, como é possível dizer que a renda de tais pessoas faz parte de uma fatia fixa, que pertence a todos nós?

    Mais: a Google é uma criação totalmente nova. Sem a Google, seria impossível esses dois criadores auferirem uma receita com a Google. Os fundadores da Google têm a renda deles e você tem a sua. O quanto eles ganham não afeta o tanto que você pode ganhar — exceto pelo fato de que a invenção deles pode sim ajudar você a aumentar a sua renda (pessoalmente, sinto que devo a estes dois uma grande soma de dinheiro).

  7. Prezados amigos,

    Concordo inteiramente com a admiração que deve ser dada a pessoas que dedicaram uma imensa fatia de suas vidas na busca de construir uma fortuna pessoal.

    O que não concordo, e nem vou concordar nunca, é com a relação incestuosa existente entre uma multidão de parasitas regiamente remunerados, todos encastelados na paquidérmica estrutura governamental, e que fizeram e fazem vistas grossas às inúmeras e imensas patifarias praticadas por algumas dessas pessoas citadas, quando estavam todas afundadas no frenesi de se tornarem cada vez mais ricas.

    Não vou citá-las, pois eu me tornaria passível de extermínio judicial pelas nossas isentas (ahahah) cortes de justiça.

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