FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

1. Uma das mais notáveis lideranças de todos os tempos, o Mahatma Gandhi, afirmava que “mais perigoso que o pouco conhecimento, é o grande conhecimento acoplado à ausência de um caráter forte e com princípios, posto que desenvolvimento intelectual sem o desenvolvimento interno do caráter condizente é a mesma coisa que entregar um potente carro esporte nas mãos de um adolescente drogado.” Lição notabilíssima para todos aqueles que possuem responsabilidades sociais de bem conduzir a vida social de uma nação. Iniciemos já a DESMEDIOCRIZAÇÃO DO BRASIL!

2. Os mapas estão superados. O instrumento ideal atual para perquirir os horizontes dos amanhãs é a bússola, ícone da mente contemporânea. Ela aponta direções, subsidia orientações estratégicas, fortalece lideranças e consolida posturas criativas. E ainda balizar as análises acerca das quebras de hierarquias, do caos desagregador e das iniquidades e injustiças que violentam a dignidade do ser humano. Saibamos como bussolar os amanhãs que nos aguardam.

3. Estamos vivenciando dias de significativas turbulências. E o fenômeno é universal, com características mais marcantes nos países ainda em desenvolvimento, detentores de imaturidades as mais diferenciadas. E a mais gigantesca das imaturidades é a imaturidade emocional-cognitiva, matriz de quase todas as demais, posto que uma das causas primeiras dos atrasos civilizatórios. Nós, brasileiros, como civilização que ainda ensaia os seus passos iniciais, às vezes nos posicionamos como detentores de uma contemporaneidade embasada num aprendizado medíocre, efetivado há muitas décadas. Tornamo-nos, com frequência, inflexíveis, fundamentados em lições apreendidas em contextos sociais passados, muito diferenciados dos atuais, vinculados a ontens e anteontens que não mais retornarão.

4. Dando um exemplo histórico, certa feita, numa das revistas de circulação nacional, o saudoso economista Celso Furtado declarou: “O mercado é um instrumento maravilhoso, mas ele não desempenha todas as funções. Quando se trata de resolver conflitos numa sociedade heterogênea, a saída não pode ser pelo mercado. Tem que ter a mão de quem defenda o interesse público, a solidariedade social. É importante que as duas formas de conceber a organização social caminhem juntas. O mercado baseia-se no heroísmo, na iniciativa, na astúcia, para dar dinamismo ao processo. Já o Estado busca a solidariedade, tem que proteger os fracos. Isso é que forma uma sociedade moderna.” Multipliquemos os Celso Furtado no cenário nacional, abjurando bundões, chinfrins e blá-blá-bladores que se postam, sempre bostando, de democratas e salvadores da Pátria.

5. A classe média brasileira necessita melhor direcionar e redimensionar suas posturas estratégicas éticas ao formatar cenários futuros. Sua capacidade associativa está a exigir um reposicionamento mais condizente com o momento atual, para diferenciar bem coalizões necessárias de associações espúrias, demagógicas, populistas e fingidas. Cada vez mais engolfada pelos desencantos do cotidiano, a classe média precisa voltar a apreender melhor a realidade social do país, redimir-se dos erros cometidos, ampliando seu atual nível mínimo de criticidade, eximindo-se de ficar somente olhando para o próprio umbigo.

6. O momento que estamos vivendo não permite apenas meras contemplações e opiniões débeis. Os mais responsáveis estão incentivando a ampliação da participação de todos. Faz-se necessário incentivar essa participação para que as mudanças aconteçam, eliminando-se os sectarismos inconsequentes e as marginalizações humilhantes, obtendo-se um enxergar melhor de todos, rejeitadas as ingenuidades alienantes dos mais variados naipes mentais.

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