Não é que eu seja pessimista — acho que não sou. A questão é que, do jeito que o clima está, pouco importa que a primavera seja logo ali.
Em agosto a umidade em Brasília transita facilmente abaixo de 20%, mas às vezes é preciso que a seca se aprofunde para que surja alguma possibilidade de chuva. Nem que mesmo depois da chuva os umidificadores elétricos continuem necessários.
Então, não estou nem aí se as cigarras acordarão antes de novembro. Que venham, com suas vozes estridentes e sua melodia repetitiva. Resta a esperança de alguma calmaria no Natal, já que janeiro promete tempestades.
Enquanto isso, convivamos com o barulho! Ainda não das cigarras. Nem de trovões.
De um jeito ou de outro, não espero ver o sol nascer bonito amanhã. Espero apenas que a fumaça das queimadas se dissipe o suficiente para eu enxergar o horizonte com alguma clareza — e mesmo isso, confesso, é uma esperança que guardo com desconfiança.
Não sou agricultor, mas sei que quem planta expectativas pode colher decepções. Para quem vem do Nordeste — como eu — o planalto é um oásis. Quem conhece a caatinga não se assusta com o cerrado.
Sim, um dia plantei um ipê. Em frente à casa onde moro. No Lago Norte.
Não porque espere vê-lo se pintar de amarelo algum dia. Como os que vi outro dia na L2 Norte. Mas porque sinto que é o que resta fazer.
Porque alguma parte de mim insiste em acreditar que algo há de crescer entre as pedras, só para provar que a terra ainda respira.
