CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Capitão Vicente Iañez Pinzon

Ao me aprofundar no estudo do livro: “Memorial do Mundo Novo”, com 293 páginas, escrito pelo nosso Editor Luiz Berto, produzido pela Editora Bagaço, lançado em 2008, fiquei imaginando quantos fatos da História do Brasil me foram ocultados durante os cursos Primário e Secundário.

Apreciador da historiografia pátria, tenho procurado me assenhorar de detalhes interessantes de alguns fatos, a partir da fase do descobrimento, e de certo modo, sobre Invasão Holandesa e as Revoluções de Pernambuco, notadamente sobre os bastidores desses acontecimentos, fatos até desconhecidos por muitos leitores.

Procuro não deixar no esquecimento tão significativas páginas vividas na terra de Pernambuco, já que as escolas dos meus tempos não tiveram o cuidado de manter vivos tais acontecimentos, que agora, aqui e ali, reaparecem.

Desejo relembrar nestas crônicas os fatos registrados pelos historiadores de então, pois não foi pequeno o esforço de pesquisa de inúmeros outros historiadores, no sentido de gravar para sempre o que aconteceu nos anos que sucederam ao 1500, data oficializada para o nosso descobrimento.

E o nosso Luiz Berto o fez através de seu precioso romance histórico.

Por força do “Tratado de Tordesilhas” uma parte do Brasil foi destinada a Portugal – separada no mapa por uma linha vermelha – e somente o restante poderia ser explorado pela Espanha, na época conhecida como o Reino de Castela.

Vejamos o resumo do pouco conhecido documento:

Trata-se do registro de um acordo firmado entre os dois reinos – de Castela e Portugal – em 1494, que dividiu o mundo entre os dois domínios ibéricos, definindo os limites de exploração entre portugueses e espanhóis na América do Sul.

Lá vem Pinzon voltando à História!

Aquele herói ibérico foi o descobridor, de fato, do Brasil, tendo viajado por águas desconhecidas e cheias de armadilhas, com as ondas batendo forte no casco do seu navio e chegou aqui em primeiríssimo lugar.

Enquanto o Capitão Vicente Iañez Pinzon – segundo Luiz Berto – segurava com tanta força a corda que atravessava o tombadilho de seu navio o que lhe transtornou a face, dando-lhe expressão rude – pois amargava o terrível desconforto de uma inoportuna cólica intestinal; a popularíssima “dor de barriga” e seus “anexos”.

O mal que lhe tirava o humor, indicava convulsão nas tripas. O momento do Capitão Pinzon não era nada inspirador, pois, traques e ventosidades estrepitosas denunciavam os instantes extremos que vivia o Comandante. As dores se espalhavam em ondas por todo o seu abdômen e pelo “cano de escape” ouviam-se inoportunas flautulências.

Num momento de fuga, a passos largos, logo transformados em desabalada carreira, os marinheiros presenciam um acontecimento singular: vê-se o Comandante rumo ao cagador.

Em seguida ouve-se ele agradecer aos maiores do céu o fim do sofrimento; ao livrar-se das bostas e das pontadas que o castigavam seu ventre.

Sente-se vitorioso ao se livrar das bostas e logo retoma o pensamento glorioso de ter sido o primeiro espanhol a cruzar o Equador terrestre. Mas, como se não bastassem as atribulações da viagem, ainda sofria com pequenos relambórios da barriga. O fim de caganeira.

Mas, logo escuta um dos seus homens, do alto da gávea do seu navio, dar o célebre aviso de “Terra à vista!”.

Era a parte do Brasil que não poderia ser anunciada como “descoberta”, face à linha imaginária do “Tratado de Tordesilhas”, que abrangia boa parte do litoral brasileiro.

Era o atual Cabo de Santo Agostinho de onde o “olheiro” divisava a futura terra pernambucana. O fato logo aliviou o reboliço intestinal que fustigava a paciência do descobridor. Teria estufado o peito e gritado:

“Chegamos, felizmente sem traques e sem bostas!”

Voltamos às palavras do escritor do “Memorial do Mundo Novo”, nosso intrépido romancista, escritor, jornalista e tudo o mais que se refere às letras, Luiz Berto:

Mal sabia o Capitão que estava diante de uma insuperável coleção de “tretas do destino”, mesmo sendo qualificado como notável Comandante, designado por Sua Alteza Fernando III, o Rei de Castela. O pior: não se conforma com a imensa desdita de não poder anunciar ao Mundo Novo sua descoberta.

O fato, para mim mais significativo, foi lembrar que o Capitão espanhol Vicente Iañez Pinzon foi, de fato, o descobridor do Brasil, porque Pedro Álvares Cabral somente pisou na terra brasileira mais de dois meses depois.

Todavia, como no Brasil tudo é diferente, vê-se, na Wikipédia uma nota que afirma ter sido a comemoração do descobrimento há 522 anos, quando Cabral desembarcou em Porto Seguro, litoral da Bahia, em 22 de abril de 1500, tornando a região uma Colônia do Reino de Portugal.

Mas, segundo Luiz Berto, o Capitão Vicente Iañez Pinzon, mesmo se cagando e peidando adoidadamente, descobriu de fato o Brasil, pois dois meses antes aqui desembarcou.

2 pensou em “PINZON, O DESCOBRIDOR DO BRASIL

  1. Meu caro amigo e colunista fubânico, agradeço muito sua generosa apreciação sobre o meu modesto romance. Gratíssimo do fundo do coração.

    Aproveito para informar que, segundo consta na página da Editora Bagaço, esta edição está esgotada. O que significa que o livro foi bem vendido.

    Clique no link abaixo e confira:

    https://www.editorabagaco.com.br/search/?q=luiz+berto

    Espero que uma nova edição seja lançada em breve.

    Um grande abraço!

  2. Trocando em miúdos, Carlos…. Pindorama foi fruto de uma cagada, em todos os sentidos, segundo nosso historiador, cronista e papa consagrado. De Pinzon a Cabral, o primeiro, obviamente, a famosa fininha foi o dinamizador da descoberta.

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