FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Um dos passatempos do João Silvino da Conceição, este recifense por demais arretado de bom, é escrever pequenas historietas, utilizando o pernambuquês, linguajar criado e curtido pelos que moram neste estado pioneiro, berço de Gilberto Freyre, Gregório Bezerra, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello Neto e Luiz Gonzaga. Este último agora também eleito para encabeçar a lista dos que mais se destacaram no século passado.

Aproveitando as proximidades do Segundo Turno, ele me mostrou um texto seu que é uma beleza de advertência. Uma meia página de pernambuquês que deve ser divulgada aos quatro ventos, sem fazer qualquer distinção entre Marcelo Rossi e Leão XIV, este último um papa em convalescência e com muitas virtudes, talento evangelizador sem pulinhos aeróbicos. Ei-la:

“Sentindo-se o cão chupando manga, só por ter sido aprovado num vestibular que carecia de maior seriedade fiscalizatória, o abilolado do Lordenelson, batizado assim em homenagem a um cabra bom do além-mar, raspou os pelos do cocuruto e ganhou a rua para ser admirado pelas minas aguadas das redondezas, umas quengosas, pirraias sem ainda os frisos dianteiros. Arremedando os arretados que foram aprovados nos vestibulares mais acochados, Lordenelson, todo metido a cavalo do cão e virado num molho de coentro, foi dar com os costados numa praça de alimentação de shopping, de braços dados com a Creonilda, uma catraia toda zambeta que fazia um rala-e-rola completo nos cafundós do Judas da área portuária. Falando bem alto, na maior zoada, Lordnelson apregoava que tinha feito um vestibular numa faculdade tampa de crush, onde os alesados enguiçados do saber não tinham vez de jeito maneira. E que estava naquela praça com a bobônica, pra responder pros interessados os noprós de vestibular, pra ele tudo bronca safada. Arrodeado de uns galalaus trelosos e umas sararás amostradas, de diademas rosas recheados de birilos, Lordenelson ouviu a primeira pergunta, vinda de um tamborete de zona peguento, de alpercata de rabicho, com o diabo no couro por ter sido agoniado demais nas respostas dadas, pressa que lhe tinha surripiado o lugar primeiro da federal. Sem poder conversar miolo de pote e não desejando se arredar dali como um abiscoitado, Lordenelson arriscou um ”não sei, essa” bem baixinho, gerando um balaio de gato depois de uns outros tantos “não sei”. Até um lanterneiro que apreciava o papo, danou-se, presenteando as fuças do Lord com uma chapoletada de deixar comendo brocha o mais arisco dos marombeiros da região.Sentindo-se atolado e meio com a cipoada levada, tão forte que provocou um catabiu nos seus solados, Lordnelson, já sentindo uma graxinha intestinal a lubrificar-lhe o peritônio, imaginou-se no cu do mundo, bem distante daquela inhaca que já exalava do seu fundo de calça. Sentindo que podia comer capim pela raiz, se farrapasse em mais um “não sei”, deslizou de mansinho, arribando-se ligeirinho para seu quartinho, muito puto da vida por ter-se enganado a respeito dos seus dotes intelectivos”.
Segundo João Silvino, sua historinha é um alerta para os que fazem vestibular em “falcudade só carestia”: “Para que as aratacas metidas a terceiro grau se arribem, deixando de tapiar os bagos dos pés de chinelo com tabuletas de esparro, não carece de fuzuê. Basta que os despachados saibam identificar as trepeças que enrolam, que apenas desejam o tutu dos lesos, deixando todos profissionalmente malamanhados”.

Estou com o João Silvino e não abro nem pro trem!!

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