CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

O jornalismo é uma estrada fascinante. Semelhante a um trem, passa por muitas estações e se conhece muita gente boa. Num desses caminhos conheci Aldemar Mário Buarque de Paiva.

Nome dos mais conhecidos em todos os setores sociais, culturais e radiofônicos do Nordeste, se notabilizou por haver sido fundador da Rádio Difusora de Maceió, cidade onde nasceu, e se tornou popular como poeta, escritor, compositor, cordelista, jornalista, produtor artístico e publicitário.

Em sua cartela de composições assinou mais de 70 músicas, dentre elas, as mais conhecidas: Pajuçara e o frevo em parceria com Nelson Ferreira Pernambuco você é meu! Como poeta se notabilizou com o monólogo Papai Noel, que ganhou a cena nacional na interpretação do ator Lúcio Mauro.

Era um corpo vestido de alegria! Meu colega na Academia de Artes e Letras de Pernambuco. Quando chegava já vinha mostrando os dentes, fazendo propaganda de Pasta Dental Kolinos.

Verdadeiramente uma pessoa de criatividade difícil de avaliar. Todavia, para mim, sua característica mais acentuada era o poder de alegrar as pessoas, contando piadas, criando situações hilárias e até aprontando presepadas incríveis.

Certa feita eu estava no auditório da Rádio Jornal do Commercio, já no prédio da Rua do Lima, cobrindo a escolha da Miss Pernambuco, com o fotógrafo Diógenes Montenegro, para a coluna social de Alex.

Na mesa dos jurados, entre outros, Capiba, Claudionor Germano, Fernando Barreto, Zayra Pimentel e Aldemar Paiva. As candidatas a miss desfilavam tendo cada uma delas a etiqueta de identificação, representada por um grande número preso com uma cartolina, ao maiô, no alto das coxas.

Acidentalmente um dos números ficou mal colocado dificultando a visão dos jurados. Nesse instante, Capiba inclinou-se, tirou os óculos e aproximou o rosto para ter melhor visão do número. Foi quando ouvi o seguinte diálogo, falando inicialmente o radialista, que sentara-se junto dele:

– Capiba, tais te lembrando do tempo em que tu eras bom nisso?

E como um foguete, o compositor disparou contra Aldemar:

– Pergunta a tua mãe!…

Mas Aldemar daria o troco. Apresentador do programa de maior audiência nas manhãs do Rádio Pernambucano até a década de 1980 – “Pernambuco você é meu” – o radialista levou ao ar a seguinte Campanha:

Meus caros ouvintes, Capiba está fazendo 80 anos na próxima semana e o presente que ele mais gosta de receber são gatos de raça. Sendo cidadão muito caridoso, costuma recolher os felinos que perambulam pela Rua Barão de Itamaracá, no Recife, para acomodá-los em sua casa.

O efeito foi impressionante. Na mesma tarde chegaram gatos, de saco. As pessoas chegavam no jardim e jogavam os felinos.

Tempo houve em que a família contava com 17 gatos e todos eram tratados com o maior cuidado. Capiba acabou por se afeiçoar aos animais que os tratava como se seus filhos fossem.

Ainda hoje, a viúva, D. Zezita, que reside em Surubim, tem uma criação de vinte e dois gatos e mais seis cachorros, muitos dos quais levou do Recife.

Quando lancei o livro O Banco do Brasil na História de Pernambuco ele estava viajando e não podendo comparecer me mandou um cheque para reservar um exemplar, acompanhado com o seguinte verso:

Carlos Eduardo:
Tanto para o coquetel
quanto para o lançamento
eu faço um triste papel
porque na data me ausento…
Porém, aqui apresento
minha desculpa e sou franco:
– Admiro seu arranco
de escritor, como Nabuco,
Botando com amor o Banco
Na História de Pernambuco.

Com muita estima, Aldemar Paiva – 13.-7.1983.

* * *

Pernambuco, Você é Meu – A trajetória do Multimídia Aldemar Paiva

3 pensou em “PERNAMBUCO VOCÊ É MEU!

  1. Bons tempos, meu amigo. Bons tempos.

    Desde criança, quando meu pais nos levava pela manhã para o colégio, o rádio do nosso carro seguia sintonizado na Rádio Clube de Pernambuco, no programa Pernambuco você é meu!

    Eram os os anos 50…

  2. Recordar não é apenas reviver as lembranças do cronista, mas despertar também momentos enebriantes vividos pelo leitor.

    Aldemar, com sue programa, volta aos nossos pensamentos sempre que se pensa em coisas boas.

    Um amigo que jamais sairá do nossos melhores pensamentos.

    Grato, Guilherme, por sua leitura e a constatação de que o Recife continua presente na memória de todos os seus filhos que ganharam estradas e mares para cumprirem seus destinos, porém jamais esqueceram sua gleba.

    Um abração e Bom Domingo,

    Carlos Eduardo

  3. ERRATA:

    Peço desculpas ao caro Fellippe porque outro amigo meu – Guilherme – fez um comentário à parte.

    Assim, justifico.

    Abs.

    Carlos Eduardo

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