Julgando a Justiça
A justiça deveria ser cega,
Não julgar conforme a aparência.
Deveria agir como a ciência
Que apenas aos fatos se apega.
Há injustiça quando ela renega
O prescrito na Constituição:
Todo poder vem da população
E em seu nome deve ser exercido.
Quando a justiça defende o bandido,
Quem há de defender o cidadão?
No tribunal, nem sempre prevalece
A dureza da imparcialidade.
Às vezes, o que ocorre, na verdade,
É que outra verdade aparece;
Outro entendimento se oferece
Pra mudar o culpado em inocente:
Fruto de uma manobra indecente
Ou de algum acordo proibido.
Quando a justiça defende o bandido,
Quem há de defender o cidadão?
Eu vejo injustiças desde menino,
Na rua, a toda hora, acontecer
No rádio, no jornal e na TV,
Mostradas como se fosse o destino
Traçado por algum “juiz divino”,
Que manda no povo com opressão.
Indefesa, essa pobre nação
Se rende e dá tudo por perdido.
Quando a justiça defende o bandido,
Quem há de defender o cidadão?