Segundo estimativas recentes, 15% da população terrestre não professam religião alguma, em torno de 4% sendo o percentual daqueles que se opõem a qualquer prática religiosa. Entretanto, o fato mais preocupante é a desagregação das denominações religiosas do Ocidente. Três razões são apontadas: a. As acomodações ou obsolescências das próprias instituições; b. O acelerado desenvolvimento dos meios de comunicação e das correntes migratórias, a favorecer a multiplicação dos “produtos” religiosos; c. O desencanto com os anos 60 e 70 do século passado, ensejando novas formas de religiosidade, a maioria respaldada em correntes fundamentalistas.
Enquanto os menos atilados imaginam-se seguros diante das práticas anestésicas de sabidos pregadores, os críticos, mesmo sob olhares de censura e rejeição, entendem que “Deus é, antes de mais nada, liberdade”. E que a salvação não pode ser plenamente vivenciada em ambiente de constrangimento e medo, posto que a fé não pode ser vivenciada a partir da aceitação passiva de conceitos doutrinários.
Um percurso temático foi, há alguns anos, elaborado por Michel Reeber, do Grupo de Estudos e de Pesquisa da Universidade de Ciências Humanas de Estrasburgo. São quatrocentos verbetes, contendo termos, conceitos e ideias que muito facilitarão o crente de qualquer denominação a compreender mais adequadamente a mensagem do Criador, tenha Ele as denominações mais diferenciadas. A edição brasileira ainda possui um acréscimo sobre religiões, crenças e rituais praticados no país, um trabalho elaborado pelo professor Marcelo Ayres Camurça, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais.
Os verbetes relacionados às grandes religiões – hinduísmo, budismo, judaísmo, cristianismo e islamismos – são descritos de modo mais que satisfatório no livro do Reeber. Também no anexo se pode entender o que é candomblé, comunidades eclesiais de base, kardecismo, orixás, pajelança, santo daime, umbanda e vale do amanhecer. Parágrafos esclarecedores, numa linguagem não hermética, que certamente muito facilitarão a caminhada de cada leitor na sua trilha confessional.
A atual safra de bons livros sobre Religião proporcionará uma maior criticidade nos que acreditam na transcendentalidade do Ser Humano efetivamente direcionada para um construir ético. As novas leituras conduzirão os diferenciados crentes na superação das dores do mundo contemporâneo através dos seguintes desafios:
– A humanização das operações tecnológicas;
– As novas formas de produção na busca de um padrão civilizatório mais condizente com a dignidade humana;
– O revigoramento da sustentabilidade ecológica do planeta; e
– Uma nova consciência cósmica se estabelecerá, apoiada na advertência do apóstolo Paulo: “Não deixem que ninguém os engane de modo algum” (2Ts 2,3)
Atualmente, embora ainda sobrevivam manobras espúrias de antigamente, são poucos os homens públicos que percebem a decisiva importância da religião para a implementação de solidárias políticas globais. E quem ratifica tal argumentação é o teólogo Hans Kung, em livro editado pela Vozes, em 1999: “No mundo moderno, é a religião uma força central, talvez a força central que motiva e mobiliza as pessoas. … Convicções religiosas e família, sangue e doutrina são as realidades com as quais as pessoas se identificam e em função das quais lutam e morrem”.
Estou convencido que emerge velozmente uma baita revolução ética, amplamente respaldada nos princípios ecumênicos de uma Teologia da Inclusão Social. É só aderir para humanamente saber fazer acontecer.
Na Ressurreição de Jesus, pela primeira vez naquela época de muito machismo, a uma mulher foi dada a missão de anunciar o retorno do Homão ao convívio comunitário. Ratifico, por isso, o pensar do ex-presidente da Federação Espírita Brasileira, Antônio Cesar Perri de Carvalho sobre o pós-Ressurreição: “Estudar Paulo é como descobrir diferentes caminhos para escalar uma montanha”.
Saibamos conhecer bem as ideias de Paulo de Tarso, o Bandeirante dos Gentios, o único dos apóstolos que não conheceu o Nazareno antes da crucificação no madeiro nem tampouco depois de ressurreto. Mas que se tornou o grande predecessor de inúmeros princípios organizados pelo Codificador Allan Kardec, muitos anos depois.