Eu que proclamo odiar-te, eu que proclamo
querer-te mal, com fúria e com rancor,
mal sabes tu como, em segredo, te amo
o vulto pensativo e sofredor.
Quem vê o fel que em cólera derramo,
no ódio que punge, desesperador,
mal sabe que, se a sós me encontro, chamo
por teu amor, com o mais profundo amor…
Mal sabe que, se acaso, novamente,
buscasses o calor do velho ninho
de onde um capricho te fizera ausente,
eu, esquecendo a tua ingratidão,
juncaria de rosas o caminho
em que voltasses para o meu perdão…

Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti, Recife-PE, (1888-1963)
Eu olho este poema e vejo a situação do Rancoroso com seu fetiche, o Bolsonaro.
Alguém tem dúvidas de que atrás dos ataques de ódio e inveja que o Corno faz todos os dias ao ex presidente está um amor incontido?