
O presidente Lula durante debate com Flávio Bolsonaro na Band
Lula criou confusão, com gente exigindo que ele pedisse desculpas à OAB Nacional por ter ofendido os advogados no debate, querendo que Flávio Bolsonaro, que fez a defesa de um policial, explicasse por que o policial matou uma criança. O caso aconteceu em 2021, um policial atirou contra uma casa e o projétil atingiu uma menina de 5 anos; Flávio foi um dos advogados de defesa no Superior Tribunal de Justiça. Mas não foi só com os advogados que Lula comprou briga: o candidato falou em converter os índios em “cidadãos de primeira categoria” (na verdade ele disse “cidadões”; deve estar aprendendo com a Janja). Ele já está criando estamentos sociais. Índio, então, é cidadão de segunda categoria, de terceira categoria?
Até existe de fato, no Brasil, um cidadão de primeira classe: o empregado privilegiado do Estado. Não são todos: alguns trabalham muito e ganham pouco. Falo dos privilegiados, em cargos de confiança, de comissão, sem concurso, nos três poderes. Esses são cidadãos diferentes, de uma nomenklatura, como existia na União Soviética. Mas os índios agora estão se perguntando: “nós, então, não somos cidadãos?” Os indígenas que eu conheço, os brasileiros que eu conheço, querem ser iguais a todos nós: poder trabalhar, poder se formar, frequentam universidades, plantam, colhem, exportam. Não têm de ser diferentes. Aliás, é bom lembrar o que está no artigo 5.º, cláusula pétrea da Constituição: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Quem faz distinção está cometendo um sacrilégio contra a Constituição.
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Artistas petistas estão fazendo propaganda do que Roberta Luchsinger tem a dizer
Não sei por que há quem pense que artista é puxador de voto; isso é uma ingenuidade misturada com suposta politização. Eu vi um artista pedindo que as pessoas não prestassem atenção ao que diz Roberta Luchsinger. Mas o que ele está fazendo? Está fazendo propaganda, está chamando a atenção. Imaginem a mãe que diz ao menino de 5 anos “não mexa nessa lata aqui, cheia de doce”. Pronto, agora o menino sabe da lata de doces.
Todos querem ouvir Roberta Luchsinger. Ela interrompeu o debate de domingo para dizer que Lula estava mentindo. A mesma coisa aconteceu com o pernambucano Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal. Ele afirmou: “Lula disse que criou o Simples. Não, quem criou o Simples fui eu. Lula disse que recebeu o governo de Fernando Henrique quebrado. Não, eu fui coordenador da equipe de transição, e os petistas elogiaram a situação fiscal que receberam”.
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Sigilo que Lula ofereceu abrir não serve para nada
Lula agora está fazendo propaganda dessa proposta de abrir sigilo bancário e telefônico. Mas como vai abrir sigilo telefônico, se ele mesmo já disse que não tem celular? E quanto ao sigilo bancário todo mundo sabe: Antonio Palocci falou disso, Joesley Batista disse em depoimento que abria contas no exterior – não na Suíça ou em outro paraíso fiscal, mas em lugares onde é difícil rastrear: Angola, Moçambique, Nicarágua, Cuba, Venezuela. Que tal, em vez disso, abrir o sigilo de 100 anos imposto sobre o cartão corporativo da Janja? Isso, sim, seria divertido. Afinal, se ela está lá como se fosse pessoa pública, se tem um escritório no Palácio do Planalto, se tem uma equipe de uma dúzia de pessoas, todos recebendo dos nossos impostos, ela está sujeita à publicidade exigida pelo artigo 37 da Constituição.