Pálida, à luz da lâmpada sombria,
sobre o leito de flores reclinada,
como a Lua por noite embalsamada,
entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens de alvorada,
que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…
Não te rias de mim meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Manoel Antônio Álvares de Azevedo, São Paulo (1831-1852)
Estes meninos do século XIX tinham uma sofrência de amor danada.
Não devia ser pobre financeiramente este garoto Álvares de Azevedo, que morreu com 21 anos.
Com tantas oportunidades que deveria ter, se apaixonou por uma dama inatingível, o coitado.