JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Antigo “Curral das Éguas” em Fortaleza dos anos 40/50

Costumo dizer que as muitas coisas boas do passado ainda não dobraram a esquina da curva do tempo. Se a visão falha, a memória ainda permite lembrar e, assim, terminamos vendo. Ainda dá para ver que, naquele tempo de pureza e pessoas boas, andar de bicicleta e tocar o sinal pedindo passagem, ou viajar uma pequena distância num Jeep Willys era melhor que ir à Disney, onde as crianças são iniciadas em putarias.

Eu escrevi “putarias”. Talvez eu não quisesse escrever “putarias”. Mas escrevi, e é assim que vai ficar. E, já que falei em Disney e escrevi “putarias”, tal qual a Disney, era no “Curral das Éguas” onde os púberes eram iniciados nas putarias do sexo.

Naquele tempo, beijar na boca, só se fosse escondido de muitos – e muitas namoradas não permitiam. Achavam que engravidariam. Aquilo significava para elas, uma iniciação à incitação sexual. Como dizemos hoje, a chegada nas “preliminares”, onde meninas e meninos ficam excitados e molhadinhos, se não tiverem sido “orientados” para outras preferências.

E foi por conta dos muitos que não conheceram o “Curral das Éguas” ou locais iguais, que chegou forte entre nós essa idiotice de “orientação sexual”, em vez de “opção sexual”. Estão querendo nos empurrar goela à baixo, termos que têm outro significado, e querem que aceitemos como eles querem. Estudei foi no Liceu do Ceará, na época em que havia professores que, ao mesmo tempo eram autores de livros da língua pátria.

“Orientação” vem de “orientar”. “Orientar” que dizer “ensinar”. E sexo sem um mínimo de amor é a mesma coisa que cagar. Não precisa de “orientação”. Ninguém ensina ninguém a fazer sexo. Agora, “opção sexual”, é o direito que qualquer um tem de praticar sexo da forma que lhe convier. De forma ativa ou passiva, embora tenha crescido muito o número dos que preferem a fungada no cangote – e eu não tenho nada contra. O que estou tentando dizer é que, orientação é uma coisa e opção é outra. Querem que troquemos os significados. Ninguém vai me obrigar a isso.

Pois, foi ali no “Curral das Éguas”, hoje bairro Moura Brasil, que dei minhas primeiras “pimbadas” – naquele tempo ninguém comia a namorada com a facilidade que come hoje. Precisávamos satisfazer nossas taras nos cabarés, nos chatôs, nas casas de putarias – e precisávamos pagar para fazer sexo que não fosse com a própria mão ou nas jumentinhas da capoeira no sertão.

Hoje, se o namorado não procura logo sentir o cheiro da “xana” no primeiro encontro, para aprovar ou não a depilação total feita com cêra quente, a namorada manda andar e procurar algum gay.

E, como a memória ainda funciona bem, lembro bem de como eram as “suítes” onde o pau cantava na xana de Xolinha. Tinha que pagar antes o valor estipulado pela Cafetina. Era xis pelo tempo pretendido da transa, e xis pelo “serviço” da prostituta. Compunham o cenário da suíte: um rolo de papel higiênico (toalha esterilizada e para o casal, nem pensar), uma bacia de ágata, um pedaço de sabão, e uma jarra com água – chuveiro íntimo com ducha antes e depois da fudelança, é coisa dos tempos que querem confundir “orientação” com “opção”. Era um tal de ouvir o “choque-choque” da água batendo no saco!…..

Nas noites do Curral das Éguas todos os gatos eram pardos

Sem preliminares. Era o que dizia a mulher, pois ela precisava atender outras pessoas e faturar o dela para pagar as contas, pagar a parte do cara que arrumara a vaga para ela no prostíbulo, além de precisar comprar calcinhas novas e atraentes.

Muitos não conheceram a Fortaleza desses tempos. O “Curral das Éguas” funcionava e existiu durante décadas numa área que ficava atrás da Estação Ferroviária e da Cadeia Pública e Santa Casa de Misericórdia. Foi ali que muitos conheceram as principais doenças venéreas que perturbavam, mas não matavam como as doenças dos tempos modernos.

Com a chegada da modernidade trazendo os cinemas “Drive-in”, e junto os carros com ar-refrigerado e os preservativos (que antes eram chamados de “camisa de vento”); a liberação de funcionamento dos motéis até ao lado dos templos religiosos, não teve outro caminho para o “Curral das Éguas” e os iguais, que não fosse a falência.

Uma verdadeira “putaria” que fizeram com os contumazes frequentadores. Ali, muitos conquistaram as atuais esposas e com elas construíram probas famílias, apenas confirmando que a honra nunca esteve entre as pernas. É algo conhecido em meio à família e vive no lado esquerdo do peito.

Ponto de honra do “Curral das Éguas”: afastado dali por cerca de 50 metros, a Polícia mantinha um Posto Policial e quase não intervia naquele frege ou no puteiro. Desentendimentos por conta de embriaguez e briga entre putas por conta daquele homem que “pagava mais” por uma “pimbada”, era coisa comum. Mas, continuava sem intervenção policial. Era crime hediondo vender a única droga que existia com facilidade naqueles tempos: maconha.

Dia desses retornei à Fortaleza para rever familiares e ouvi de um sobrinho policial militar: “Tio, não existe mais o Curral das Éguas. A putaria agora é na cidade inteira, incluindo os apartamentos de edifícios com coberturas.”

Bairro Moura Brasil – um dia foi o Curral das Éguas

Agora, o que jamais vão conseguir substituir é o “Serviço de Autofalante Rosa do Lagamar”, funcionando graças à uma irradiadora de três bocas, espraiando mensagens românticas e músicas idem, com variação da preferência musical. Ali, onde muitos anunciavam (pagando) que a noite estava começando e acabavam de chegar “no pedaço”, era comum escutar a sofrência cantada por Orlando Dias:

8 pensou em “OS “PÚBERES” E AS “ADÚLTERAS”

  1. Bom dia ZéRamos! Cumpro o delicioso dever de informar que, minha iniciação sexual foi no cabaré de Zefinha no Curral das Éguas, tinha 15 anos e fui levado por dois colegas “demaior”, eu já trabalhava como cobrador na empresa Rodoviário Beira Mar, tenho até hoje minha CP assinada, hoje, não existem mais puteiros nem menor pode trabalhar.

    • Marcos: pois é, permitimos que isso acontecesse. Qual o problema em “dimenor” trabalhar? Ele pode começar a desenvolver os trejeitos baitolais, pode servir de avião para os traficantes, pode matar, roubar – mas, trabalhar, nunquinha! E dar um trepadinha, qual o problema? As meninas não fazem isso aos 12 anos de idade? As meninas não são comidas pelos padres e pastores?

  2. Grande Zé Ramos. Me fez lembrar de Maria Alicate e a minha primeira camada de “piolho chato”. Maria ganhou esse apelido porque sentava em cima do brinquedo e perguntava: – quer que eu tore?

    • Beni, “chato” era normal. Acho que é por conta disso que, hoje, as mulheres “rapam à zero” e os homens estão aderindo. Mas, continuo entendendo que os pelos pubianos têm sua finalidade – e essa não é pegar chatos. Foi por conta do Curral das Éguas que fui obrigado a tomar minha primeira Benzetacyl. Cruz em credo!

  3. Há certos textos que, de tão prazerosos, nos enfiam no “túnel do tempo”. Por mais de 20 anos meu caminhão sulcou empoeiradas estradas por um Brasil que poucos vivenciaram. Sempre pernoitava (nunca transito quando a noite cai) no puteiro dos lugarejos, dormindo de conchinha com a puta mais bela que meus olhos avistavam e mantendo, com tal tática, o caminhão e meu esqueleto em segurança.

    Valeu, Zé!!!!!!!!

    • Sancho, e tu dormia, era? Pra dormir ficava no caminhão mesmo, ora! O bom desse tempo, era “pimbar”! Teve coisa comigo, que nem quero lembrar mais. Um dia um “folgada” depois de receber a grana dela (pagávamos adiantado), disse para mim: “cuidado pra não assanhar (despentear) meu cabelo”. O cabelo dela estava penteado com aquele famoso laquê! Pense num cabra brabo, pense!

      • Pensei…
        kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

        Pior foi meu irmão que se apaixonou pela puta e quando “iniciaram os trabalhos” ela perguntou se enquanto “ele metia” ela poderia continuar a ler um gibi… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

        • Kkkkkkkkkkkkkkk E isso sem contar aquela que, enquanto “trabalhava” aproveitava para passar a serrinha nas unhas. E aquela outra que, depois que o cara “tava com tudo dentro”, ela perguntou: cadê teu pinto, ué?!

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