
Candido Portinari nasceu em 29/12/1903, em Brodowski, SP. Gravador, ilustrador, professor e considerado o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional. É também o mais prolífico com cerca de 5 mil telas de diversos tamanhos, entre as quais os painéis Guerra e Paz presenteados à sede da ONU em Nova Iorque.
A vocação artística foi despertada logo na infância e teve pouco estudo formal. Aos 14 anos foi recrutado como ajudante de um grupo de pintores e escultores italianos que trabalhavam na restauração de igrejas. Aí foi percebido o talento do garoto. Aos 16 anos partiu para o Rio de Janeiro para estudar na ENBA-Escola Nacional de Belas Artes. No curso, despertou a atenção dos professores e pouco depois chamou a atenção também da imprensa, com seus quadros expostos em algumas exposições, contando com apenas 20 anos. Nesta época apresentava suas telas num estilo tipicamente moderno, considerado até então uma tendência marginal.
Seu desejo era ganhar a medalha de ouro do Salão da ENBA, mas não conseguia agradar os juízes do concurso. Porém, teve algum destaque nos anos 1926 e 1927. No ano seguinte preparou, deliberadamente, uma tela com elementos acadêmicos tradicionais – Retrato do poeta Olegário Mariano – e ganhou a medalha junto com uma viagem à Europa. Em Paris aperfeiçoou sua técnica e manteve contatos com Modigliani e Pablo Picasso, de quem recebeu influências. Conheceu a uruguaia Maria Martinelli, com quem casou-se em 1930 e passou a administrar sua carreira. De volta ao Brasil, em 1931, desenvolveu uma nova estética e uma intensa produção de obras com características nacionais baseada em tipos brasileiros, indo de encontro aos ideais pregados pelo Movimento Modernista iniciado em São Paulo.
O Mestiço e Lavrador de Café (1934) são exemplos típicos dessa fase, reforçada no ano seguinte com Café, que lhe garantiu uma premiação do Carnegie Institute, em 1935, tornando-o o primeiro modernista brasileiro premiado no exterior. Ganhou notoriedade na Feira Mundial de Nova Iorque de 1939, onde as telas atraem a atenção de Alfred Barr, diretor do MoMa, que adquire a tela Morro do Rio e expõe no Museu. Em seguida providenciou uma exposição individual, tornando seu nome conhecido entre os norte-americanos. Aos 37 anos, foi o primeiro brasileiro a ter uma exposição no MoMa. Nessa ocasião fez 2 murais para a Biblioteca do Congresso dos EUA. Ao ver o mural Guernica, “baixou” a influência de Picasso e passou a apresentar maior dramaticidade em suas obras, revelando um caráter de denúncia das questões sociais do Brasil em obras como as da Série Bíblica e Os Retirantes (1942-45).
Seu envolvimento com a vida cultural e política do País foi intenso e manteve amizade com quase todos os escritores e intelectuais mais conhecidos, muitos deles retratados em suas telas. Em 1945 foi levado pelos amigos a candidatar-se a deputado federal pelo PCB-Partido Comunista Brasileiro e em 1947 a senador. Felizmente não foi eleito, dando mais chance à sua obra. Sua fama nos EUA foi consolidada em 1940 com uma amostra da arte latino-americana no Riverside Museum de Nova Iorque e continuou com exposições individuais no Instituto de Artes de Detroit e no MoMa, além do lançamento do livro Portinari, his life and art, lançado no mesmo ano pela University of Chicago Press. Na França teve diversas exposições e foi agraciado pelo governo francês com a comenda “Legion d’Honeur”, em 1946. A partir deste ano, ficou conhecido como “O Pintor do Novo Mundo”.
Sua predileção por grandes murais em edificações vem desde 1936, com o Monumento Rodoviário da Estrada Rio-São Paulo; Santuário de São Francisco, na Pampulha; Edifício do Ministério da Educação etc. Em 1948, exilado por motivos políticos, no Uruguai, pintou o painel A primeira missa no Brasil e, em 1949, o painel Tiradentes, que lhe garantiu a medalha de ouro concedida pelo júri do Prêmio Internacional da Paz, em Varsóvia. Outra medalha de ouro veio do International Fine-Arts Council de Nova York, em 1955. No ano seguinte inaugurou os 2 painéis Guerra e Paz (de 14x10m cada), instalados na sede da ONU em 2 pontos relevantes: Guerra na entrada e Paz na saída, alertando os líderes mundiais que o objetivo dos painéis é lembrar que a guerra deve se transformar em paz.
Expôs suas obras nas grandes cidades do mundo e foi o único artista brasileiro a participar da exposição “50 anos de Arte Moderna”, no Palais des Beux Arts, em Bruxelas, em 1958. A saúde vinha dando sinais de alerta desde 1954, quando apresentou uma grave intoxicação pelo chumbo presente nas tintas, mas continuou pintando. Quando se preparava para uma grande exposição, a convite da Prefeitura de Milão, faleceu em 6/2/1962 vitimado por uma intoxicação inalando as tintas que utilizava. Um fato pouco conhecido do público é sua veia poética. Seu filho João Candido recolheu algumas de suas poesias e o jornalista Antônio Callado selecionou e viabilizou a edição do livro Poemas de Portinari, prefaciado por Manuel Bandeira e lançado pela Editora José Olympio, em 1964 e relançado em 2019 pela FUNARTE.
O filho tornou-se guardião de sua obra e criou, em 1979, o “Projeto Portinari”, junto a PUC-RJ com o objetivo de resgatar toda a obra do pai e colocá-la à visitação pública, inclusive pela Internet, uma vez que se constitui em grande parte, coleções particulares inacessíveis ao público. O trabalho resultou também na transformação da casa onde o pintor viveu no “Museu Casa de Portinari”, em Brodowski. O pintor, historiador, crítico de arte e ex-aluno de Portinari, Israel Pedrosa disse: “Nenhum pintor pintou mais um País do que Portinari pintou o seu”, fato confirmado em suas biografias: Infância de Portinari, de Mário Filho, publicada pela Edições Bloch em 1962; Portinari, de Antonio Bento, publicada pela ed. Leo Chistiano em 1980; Cândido Portinari, de Annateresa Abris, publicada pela Edusp em 1996.
Muito bom. Como sempre. Viva Jose Domingos
Grato padre José Paulo