José Plácido de Castro nasceu em 12/12/1873, em São Gabriel, RS. Militar do Exército Brasileiro, no posto de Major, combateu na Revolução Federalista (1893-1895) ao lado dos “Maragatos” contra os “Chimangos” do Partido Republicano comandando por Júlio de Castilhos. Recusou a anistia oferecida aos envolvidos na revolta, abandonou a carreira militar e foi para o Acre, onde liderou a guerra contra a Bolívia para anexar aquela região ao território brasileiro.
Filho, neto e bisneto de militares, trabalhou em diversas atividades desde os 9 anos e ficou órfão de pai aos 11. Continuou trabalhando até os 16 anos, quando entrou no 1º Regimento de Artilharia de Campanha como 2º cadete. Pouco depois matriculou-se na Escola Tática do Rio Pardo, obtendo máximo aproveitamento e voltou ao Regimento, onde serviu como 2º sargento. Ao se dar a “Revolução Federalista, em 1893, era aluno da Escola Militar de Porto Alegre. A renúncia de Deodoro da Fonseca e a posse do vice Floriano Peixoto, desagradou parte do Exército, que queria novas eleições diretas. Os dois grupos: Federalistas (Maragatos) e Republicanos (Chimangos) entraram em conflito e Plácido aderiu aos Federalistas, que foram derrotados no conflito que durou por 2 anos.
A causa da Revolução Federalista consistiu no fato de os Maragatos quererem um governo mais descentralizado, uma federação de estados e os Chimangos pleiteavam um governo mais centralizado, uma república. Ao fim da revolta, com a vitória dos Chimangos, todos os envolvidos no conflito foram anistiados, mas ele recusou a anistia, abandonou a carreira militar e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde tornou-se agrimensor. Inquieto e aventureiro, mudou-se para o Acre, em 1899, uma região em conflito na demarcação de fronteiras com a Bolívia. Aos 26 anos viu ali uma oportunidade para tentar a sorte, tendo em vista as ofertas oferecidas ao trabalho de agrimensor na demarcação de terras.
Em princípios do século XX, já instalado na região, tomou parte nos conflitos entre o Brasil e a Bolívia pelo domínio da região. Sua participação na “Revolução Acreana” se deu em 1902, quando a Bolívia arrendou o território a um sindicato estrangeiro (Bolivian Syndicate), constituído por capitais ingleses e norte-americanos. Tratava-se de uma guerra pela conquista do mercado da borracha em alta no mercado internacional. Com recursos financeiros e militares fornecidos pelo Sindicato, os bolivianos travaram algumas batalhas com os brasileiros, em grande parte seringueiros habitantes da região. Numa das batalhas, com apenas 60 seringueiros sob seu comando, enfrentou um contingente de 400 bolivianos. Na batalha final seu “exército”, contando com 30 mil homens, venceu as tropas bolivianas contando com 100 mil soldados
Assim, foi proclamado o “Estado Independente do Acre’, tendo Plácido de Castro como protagonista do evento. Poucos meses depois batalha final, ele esteve em Riberalta, cidade boliviana, para tratar da legalização das terras em sua posse e ficou surpreendido pela acolhida dos habitantes numa recepção promovida por Don Nicolas Suarez, o maior proprietário de terras daquela região, para lhe agradecer em nome de seu país, a fidalguia com que Plácido tratara seus compatriotas bolivianos prisioneiros de guerra.
Em 1903, com o “Tratado de Petrópolis”, o Acre foi anexado ao Brasil e o “Estado Independente” foi dissolvido, mas ele continuou por lá exercendo poder e influência até que em 1906 foi nomeado governador do “Território do Acre”. Pouco depois viajou para o Rio de Janeiro, em visita à família, e lhe foi oferecido o posto de coronel da Guarda Nacional, que foi prontamente recusado. Quando voltou à região, foi nomeado prefeito da Região do Alto Acre. Sua atuação e conquistas nos confins do Brasil causaram ciúmes em alguns líderes políticos, particularmente no subdelegado das tropas acreanas -coronel Alexandrino José da Silva-, que insatisfeito com sua posição no poder do Acre, bem menor que o de Plácido, dizem que armou uma emboscada composta por mais de 10 jagunços e mataram-no em 11/8/1908.
Antes de falecer, pediu ao irmão Genesco de Castro: “Logo que puderes, retira daqui os meus ossos. Direi como aquele general africano: ‘Esta terra que tão mal pagou a liberdade que lhe dei, é indigna de possuí-los.’”. O crime nunca foi devidamente investigado e ficou para sempre impune. Seus ossos foram sepultados no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. A família fez questão de deixar gravado no pedestal do túmulo os nomes e sobrenomes dos seus 14 carrascos. Passado um longo tempo, passou a receber diversas homenagens no Acre, no Rio Grande do Sul e reconhecido em âmbito nacional.
Em 1973, no centenário de nascimento, foi inaugurado um busto em sua homenagem na Praça Nações Unidas, em Porto Alegre. Seu nome é reverenciado na região norte como o “Libertador do Acre” e em 1976 seu nome foi dado ao novo município criado a 100 km. da capital Rio Branco. É também o patrono do 4º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, o “Batalhão Plácido de Castro”. Em 2004 foi entronizado no “Panteão da Pátria e da Liberdade”, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Sua vida e legado foram documentados no livro Plácido de Castro: um caudilho contra o imperialismo, uma narrativa histórico-biográfica, escrita por Cláudio Araújo Lima, na década de 1950. Um livro bem recebido pelo público, que se encontra na 6ª edição, publicado pela Editora Valer.
É segue o José Domingos em sua saga. Agora com um personagem menos conhecido de nossa história. Muito bom. Sempre.
É verdade Padre, tirante o Acre e Porto Alegre, acho que muitíssimos poucos sabem quem foi Plácido de Castro.
Grato pela visita e pelo estímulo
Trabalho magnífico, este, que o
Sr. José Domingos Brito. Semanalmente, brinda à todos nós, leitores fubânicos.
São verdadeiros resgates de personagens, por vêzes esquecidos, da História do Brasil.
Muito aprendemos com seus artigos e relatos.
Infelizmente, por longos e toscos anos. A Educação e a Cultura desse País.
Foi, desbragada e desgraçadamente, comandada por essa escumalha esquerdopata.
Bandidos da pior espécie.
Que roubaram, não só o dinheiro.
Como também,
o sonho, a liberdade, a mente e a inteligência, daqueles que deveriam ser o futuro da Nação.
Aparelhando, ideologizando e idiotizando todo setor de ensino
público, principalmente.
Esperança e certeza na retomada do conhecimento e da erudição dos brasileiros, sempre teremos.
Quando encontramos pessoas denodadas, assim, como o
Sr. José Domingos Brito.
À quem devemos, render, merecidas homenagens por sua
laboriosa dedicação.
Luiz. Seu depoimento me obriga a continuar nessa lida de resgatar os nomes da nossa história. Muito obrigado pelo apoio
Mestre Brito, Mais uma vez meus parabéns por esse retrato histórico do Plácido de Castro.
Certamente ele está presente na Magna Trilogia de O Continente, do extraordinário romancista cruzaltense, Érico Veríssimo, e também no extraordinário Incidente em Antares, quando Érico Veríssimo retrata a rivalidade entre os Maragatos e os Campo larguenses, numa batalha sem fim, sem nexo, sem racionalidade.
Parabéns por mais essa minibiografia desse personagem de personalidade.
Não existe mais homem como esse, certamente dizia o personagem misterioso harmônica do maior faroeste de todos os tempos da história do cinema: ERA UMA VEZ NO CESTE.
Parabéns pela história,
.
Beleza, amigo Cícero
Muito boa a lembrança com o filme “Era uma vez no oeste”.
Grato e abraços