JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Oswaldo Euclides de Sousa Aranha nasceu em Alegrete, RS, em 15/2/1894. Advogado, diplomata e político. Personagem destacado na política brasileira na década de 1930, no governo Vargas, e nas relações do Brasil com os EUA. Presidiu a Assembleia Geral da recém-criada ONU, em 1947, atuando no Plano de Partilha da Palestina, que criou o Estado de Israel. A tradição de se manter a abertura da reunião anual da ONU, por um brasileiro, é mantida até hoje.

Filho de Luísa Jacques de Freitas Vale Aranha e Euclides Egídio de Sousa Aranha, fazendeiro e coronel da Guarda Nacional, teve os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas de São Leopoldo e no Colégio Militar do Rio de Janeiro, concluído em 1911, aos 17 anos. Ingressou na Faculdade Nacional de Direito, mas antes de se formar, foi para a França em tratamento da saúde e passou uma temporada em Paris. Aproveitou a estadia para aprofundar estudos na área jurídica e, de volta ao Brasil, retomou o curso de Direito, concluído em 1916. Na universidade manteve intensa atividade política junto a alguns nomes que se destacariam mais tarde no cenário nacional.

Retornou ao Rio Grande do Sul e instalou banca de advogado em Uruguaiana, em 1917, aos 24 anos. Aí atuou até 1923 e ficou conceituado em questões relacionadas com transações de terra e gado. Nessa época travou amizade com o advogado Getúlio Vargas, com quem chegou ter clientes em comum. Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre “chimangos” (aliados de Borges de Medeiros, presidente do estado) e “maragatos” (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros. Em 1925 foi prefeito de Alegrete, cidade fundada por seu avô. Além de Porto Alegre, foi a única cidade do Estado a contar com luz elétrica nas ruas, calçamento e rede de esgotos. Com sua peculiar diplomacia conseguiu apaziguar os conflitos entre as famílias separadas pelos conflitos entre os chimangos e maragatos, de 1923.

Em 1924 foi lecionar direito internacional na Faculdade de Direito de Porto Alegre e participou dos combates aos movimentos armados, incluindo a “Coluna Relâmpago”, em fins de 1926, visando impedir a posse de Washington Luiz na presidência da República. Nesse combate, foi atingido no pé e teve o calcanhar esfacelado. Sempre atuante na política, foi candidato pelo PRR-Partido Republicano Rio-grandense, e eleito para a Assembleia de Representantes do estado. Mas não chegou a assumir o cargo, pois logo seria eleito também para a Câmara Federal, em maio de 1927, ocupando o lugar de Vargas, que foi indicado para o Ministério da Fazenda.

Na Revolução de 1930, agia nos bastidores para organizar o levante armado e negociou com a Junta Governativa Provisória a entrega do Governo a Getúlio Vargas e foi nomeado Ministro da Justiça. No ano seguinte assumiu o Ministério da Fazenda, consolidando a dívida externa brasileira. Como foi alijado do processo político na escolha do interventor em Minas Gerais, pediu demissão do cargo em 1934 e foi assumir a embaixada brasileira nos EUA. Ficou impressionado com a democracia estadunidense e tornou-se amigo do presidente Franklin Roosevelt. Em 1937 não aceitou os rumos da política de Vargas, com o Estado Novo, e entregou o cargo de embaixador. No entanto, aceitou o cargo de Ministro das Relações Exteriores; combateu a tendência germanófila do governo e buscou maior aproximação com os EUA. Sob sua direção o Itamaraty passou por uma grande reforma administrativa.

Na II Guerra Mundial, destacou-se na criação da ala pan-americanista, defendendo a aliança com os EUA e contra o ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra, partidário de uma aproximação com a Alemanha. Presidiu a “Conferência do Rio”, em 22/8/1942, quando o Brasil rompe as relações com os países do Eixo, anunciando o estado de beligerância com a Alemanha Nazista e a Itália. Foi uma vitória de suas convicções pan-americanistas. Pouco depois se demitiu de cargo de chanceler, após o fechamento da Sociedade dos Amigos da América, da qual era vice-presidente, em 1944. Alguns analistas viam-no como candidato natural nas eleições de 1945, mas a falta de uma base política e a fidelidade a Vargas fizeram com que não disputasse as eleições.

Em 1947 voltou à cena política como chefe da delegação brasileira na recém-criada ONU-Organização das Nações Unidas e presidente da Assembleia Geral, que votou o “Plano de Repartição da Palestina, culminando na criação do Estado de Israel. Tal feito rendeu-lhe eterna gratidão dos judeus e sionistas por sua atuação. Foi homenageado com seu nome dado a ruas em Tel Aviv, Bersebá, Ramat Gan e uma em Jerusalém. Em 1953 voltou a ocupar a pasta da Fazenda, promovendo reformas na área econômica, enfrentando a crise do final do governo Vargas. Com a morte de Vargas, retirou-se do governo e só voltou no governo Juscelino Kubitschek (1956-61), retornando à ONU na frente da delegação brasileira e fechando sua carreira política.

Faleceu em 27/1/1960 e dentre as diversas homenagens que recebeu em vida, consta o prato carioca “Filé à Oswaldo Aranha”, um filé alto temperado com alho frito, acompanhado de batatas portuguesas e farofa de ovos. Certamente era um “bon gourmet”. Em 2020 entrou no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”. No ano seguinte, seu neto Pedro Correa do Lago prestou-lhe uma homenagem com o lançamento do livro Oswaldo Aranha – Uma fotobiografia, pela Ed. Capivara. É detentor de diversas biografias, com destaque para Oswaldo Aranha: a Estrela da Revolução, de Aspásia Camargo, lançada pela Ed. Mandarin em 1996; Oswaldo Aranha: uma biografia, de Stanley Hilton, lançada pela Ed. Objetiva em 1994 e Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro, de Sérgio Eduardo Moreira Lima, lançada pela Ed. da Fundação Alexandre Gusmão em 2017.

8 pensou em “OS BRASILEIROS: Oswaldo Aranha

  1. Grande brasileiro. Só senti falta do título dado pelo povo e Governo de Israel…”Um justo entre os homens”. Excelente forma de contar biografias de brasileiros que nos orgulham.

    • Grato Roque pela visita ao nosso Memorial.
      Tens razão, faltou o titulo dado pelo governo de Israel. Mas você lembrou e deixou registrado

  2. Fico a pensar na vergonhosa atuação da diplomacia brasileira atual se comparada à atuação do grande Oswaldo Aranha , muito
    bem relatada nesta biografia . Parabéns !
    Obrigado
    Deixo por fim uma sugestão : a biografia de Domingos Martins ,lider da revolução pernambucana de 1817,inscrito entre os heróis da Pátria , foi fuzilado a mando da Corte Portuguesa

    • Caro Junior
      Grato pela visita ao nosso Memorial e pelo comentário
      e gratíssimo pela sugestão de incluir Domingos Martins, líder da Revolução Pernambucana, que antecipou em 5 anos a independência do Brasil.
      Aguarde para breve sua mini-biografia suscinta

  3. Brito,
    Excelente escolha para encerrar um ano de mini-biografias da mais alta relevância.
    Parabéns pelo denodado esforço em “desenterrar” brasileiros que jamais deveriam estar esquecidos.
    Abraços,
    Airton

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