Manuel de Oliveira Lima nasceu em 25/12/1867, em Recife, PE. Escritor, crítico literário, diplomata, historiador, professor e jornalista. Representou o Brasil em diversos países, foi professor-visitante da Universidade Harvard, nos EUA e membro-fundador da Academia Brasileira de Letras.
Filho de Maria Benedita de Miranda e Luís de Oliveira Lima, começou a atuar como jornalista aos 14 anos no Correio do Brazil, jornal fundado por ele em Lisboa. Formou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1887, e passou a trabalhar no Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em 1890. Atuou como diplomata em Portugal, Bélgica, Alemanha, Japão, Venezuela, Inglaterra e Estados Unidos e foi encarregado de negócios da primeira missão diplomática brasileira no Japão.
Foi criticado por alguns políticos devido ao seu posicionamento contrário a participação do Brasil na 1ª Guerra Mundial, sua proximidade com a Alemanha e por não aprovar o expansionismo brasileiro, como a anexação do Acre realizada pelo Barão do Rio Branco.
Era um leitor voraz e também escritor. Foi autor do 3º livro brasileiro sobre o Japão, publicado em 1903. A biografia que escreveu sobre o rei D. João VI é considerada obra de referência sobre esta figura histórica. Foi amigo íntimo de Gilberto Freyre e trocava cartas com Machado de Assis.
Em 1916 doou sua grande biblioteca à Universidade Católica dos EUA, em Washington, e para lá se mudou em 1920. Impôs a condição de que ele próprio fosse o primeiro bibliotecário e organizador do acervo, de 58 mil livros, função que desempenhou até sua morte, quando foi sucedido pela esposa Flora de Oliveira Lima. Em 1924 tornou-se professor de Direito Internacional na mesma universidade e foi indicado como professor honorário da Faculdade de Direito do Recife.
Faleceu em 24/3/1928 e foi sepultado no cemitério Mont Olivet, em Washington. Na lápide não consta seu nome, mas a frase “Aqui jaz um amigo dos livros”. Publicou mais de 12 livros de história, entre os quais: Memória sobre o descobrimento do Brasil, História do reconhecimento do Império, No Japão, Secretário Del-Rei, Dom João VI no Brasil. Este último, é considerado uma obra clássica, tendo em vista o rearranjo realizado na historiografia brasileira.
Alguns autores como Gilberto Freyre, Otávio Tarquínio de Sousa e Wilson Martins já escreveram sobre os relatos de Oliveira Lima, incluindo fatos relevantes sobre a situação internacional de Portugal em 1808, a chegada da corte no Brasil, a formação do primeiro ministério e as primeiras providências, a respeito da emancipação intelectual, sobre sua vida privada e outros tópicos debatidos ao longo da sua obra.
Ocupou a cadeira nº 11 da Academia Pernambucana de Letras e é patrono da cadeira nº 31, na expansão posterior da entidade. Em 1897, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na condição de fundador da cadeira nº 39, tendo Francisco Adolfo de Varnhagen como patrono.
Em 2012 Julio César de Oliveira Velloso apresentou a dissertação de mestrado no Instituto de Estudos Brasileiros da USP-Universidade de São Paulo, intitulada Um Dom Quixote gordo no deserto do esquecimento: Oliveira Lima e a construção de uma narrativa da nacionalidade. O texto considera que 3 momentos fundamentais forjaram a nacionalidade brasileira: a vinda da corte portuguesa para o Brasil, a forma que tomou a declaração de independência em relação a Portugal e o reinado de Dom Pedro II.
A tríade de escritos que trata desta narrativa da nacionalidade é composta por: Dom João VI no Brasil (1909), O Movimento da Independência (1921) e O Império Brasileiro (1928). Em 2017 a CEPE-Companhia Editora de Pernambuco lançou o livro Oliveira Lima: Um Historiador das Américas, de Paulo Roberto de Almeida e André Heráclio do Rêgo.
O “ Quixote Gordo “ , como a ele se referia Gilberto Freyre. Grande personagem. Parabéns, mestre José Domingos. Por se lembrar dele. Ê um dos antecessores da Cadeira 39 da ABL, que tenho a honra de ocupar. Há braços, José Paulo.
Caro José Paulo
Ao bem da verdade, devo dizer que que esta minha síntese biográfica se fez na sombra de seu breve ensaio biográfico do nosso Oliveira Lima, publicado neste JBF de 17/6/2022.
Gostaria de solicitar à ABL que a cadeira nº 39 ficasse reservada aos pernambucanos rsrsrsr
Uma bela ideia, mestre. Ah!, se pudesse…