Marcílio Dias nasceu em 12/6/1838, em Rio Grande, RS. Marinheiro da Armada Imperial Brasileira, considerado herói da Batalha Naval do Riachuelo durante a Guerra da Tríplice da Tríplice Aliança, em 1865.
Filho de Pulsena Dias e Manuel Fagundes Dias, ingressou na Armada Imperial em 1855, aos 17 anos, como grumete, e assentou praça no Corpo dos Imperiais Marinheiros. No ano seguinte embarcou na corveta Constituição e depois no navio Tocantins. Em 1861 foi promovido a marinheiro de 3ª classe; em 1862 a 2º classe e no ano seguinte, já na Escola de Artilharia, foi classificado como “Praça Distinta”.
Em 1863 foi aprovado como marinheiro-artilheiro e embarcou na corveta Parnaíba, em expedição ao Rio da Prata. Em julho de 1864, foi promovido a marinheiro de primeira classe (equivalente hoje a cabo). Em fins de 1864 teve seu batismo de fogo contra as forças do Uruguai. No assalto final à Praça Paysandu, numa batalha que durou 52 horas, foi um dos bravos combatentes e ficou famoso com seu grito de “Vitória” na torre da Igreja Matriz de Paysandu aos seus companheiros com a bandeira do Brasil.
Numa das batalhas, sua corveta foi cercada por 3 navios paraguaios, onde travou uma luta corpo com 4 inimigos. Armado de sabre abateu 2 deles, mas teve seu braço decepado, causando-lhe a morte no dia seguinte, em 12/6/1865, aos 27 anos e foi sepultado com as honras do cerimonial marítimo no rio Paraná. Dois meses após, o Quartel-General da Marinha Imperial incorporou um navio a vapor para servir no transporte de tropas e batizou-o de “Marcílio Dias”, em homenagem ao seu heroísmo na Batalha do Riachuelo.
Em seguida, foi homenageado noutras ocasiões. Em 1891, um torpedeiro de alto mar, construído em Londres, também foi batizado com seu nome. Em 1910, o Almirante Alexandrino Faria de Alencar criou a “Medalha Marcílio Dias de Valor Militar”, destinada a homenagear os alunos que mais se destacam nas Escolas de Aprendizes-Marinheiros do Brasil. Em 1919, foi fundado o Clube Náutico Marcílio Dias, em Itajaí, SC. Em 1922 foi fundada o Instituto Estadual de Educação Cabo de Esquadra Marcílio Dias, em Torres, RS.
Em 1926, a Fundação do Amparo ao Marujo Brasileiro recebeu o nome de Casa Marcílio Dias, embrião do atual Hospital Naval Marcílio Dias (HNMD), no bairro Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro. Em julho de 1940, o presidente Getúlio Vargas participou do lançamento ao mar do contra-torpedeiro Marcílio Dias, em mais uma homenagem ao marinheiro. Várias outras instituições, militares ou civis, em todo o Brasil, assim como ruas, praças e outros logradouros foram batizados com seu nome.
Sua biografia foi publicada em 2 livros: 1) Marcílio Dias: Imperial Marinheiro, de Didio Iratym Affonso da Costa, publicado pela Ed. Mundomar, em 1943 e 2) O Vaivém da Memória: Marcílio Dias e João Cândido na História, de Álvaro Pereira do Nascimento, parte IV do livro Repensando o Brasil dos Oitocentos; cidadania, política e liberdade, publicado pela Ed. Civilização Brasileira, em 2009.