Luiz Pinguelli Rosa nasceu em 19/2/1942, no Rio de Janeiro, RJ. Físico, engenheiro, professor e destacado cientista na área de física nuclear. Foi presidente da Eletrobrás, professor emérito da UFRJ e diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE/UFRJ). Porém, o que gostava mesmo, segundo o próprio, era ministrar aulas.
Filho de Dalva Pinguelli Rosa e do alfaiate Avilla Rosa, de quem foi auxiliar na adolescência. Teve os primeiros estudos na Escola Rio Grande do Sul e no Colégio Pedro II. Em seguida ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em São Paulo, e na Escola Militar das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, de onde saiu como oficial do Exército. Entrou no IME-Instituto Militar de Engenharia em meados da década de 1960 e participou do movimento estudantil em 1964, quando foi preso pelas forças da repressão. Após formado engenheiro, desligou-se do Exército, em 1967, para continuar os estudos como civil. Fez mestrado em Engenharia Nuclear na UFRJ e doutorado em Física na PUC/Rio-Pontifícia Universidade Católica.
Foi um crítico ferrenho do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, firmado em 1975, para a construção de reatores nucleares. Através da imprensa, denunciou suas mazelas e na CPI-Comissão Parlamentar de Inquérito, em 1979, criticou a concepção do Acordo e a forma de execução do programa nuclear brasileiro. Porém, a CPI encerrou as atividades sem maiores resultados. Em 1986, na comissão da SBF-Sociedade Brasileira de Física, denunciou a construção de instalações militares na Serra do Cachimbo (PA), visando realizar testes nucleares. O governo Sarney desmentiu a denúncia, mas o governo seguinte (Collor) reconheceu sua existência para fazer uma explosão nuclear subterrânea e mandou lacrar o poço. Com esta polêmica, publicou o artigo For promoting public understanding of the relationships of Physics and Society, que lhe rendeu o prêmio “Forum Award” da Associação Americana de Física, em 1992.
Com o fim do regime militar, foi eleito diretor da COPPE/UFRJ e seu primeiro ato foi convidar os professores que haviam sido expulsos para retornar à instituição dirigida por ele em 5 mandatos (1986-1989; 1994-1997; 2002, 2007-2011. 2011-2015). Seu mandato de 2002 foi interrompido em 2003 para assumir a presidência da Eletrobrás até o ano seguinte. Sua atuação foi além da área acadêmica, liderando o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ de 1990 a 1993. Ao final e junto com Herbert de Souza (Betinho), criaram o Comitê de Entidades Públicas no Combate à Fome e pela Vida-COEP, selando uma longa parceria com a COPPE.
Em 1995 convidou o físico Joseph Rotblat (1908–2005), conhecido por suas contribuições científicas e sua militância pelo desarmamento nuclear, esteve no Rio, a convite de Pinguelli, para proferir na COPPE a conferência sobre os 50 anos de Hiroshima e Nagasaki. A visita teve grande repercussão na comunidade científica e na opinião pública e possibilitou a reabertura do processo de adesão do Brasil ao Tratado de Não Proliferação Nuclear. Rotblat voltou ao Brasil em 1996, quando esteve com o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, dois anos após esse encontro, o Brasil aderiu ao tratado.
Em 2000 alertou o governo sobre o risco de uma grave crise no setor elétrico, que veio a se confirmar em 2001. Foi preciso a montagem de um plano de racionamento, que fiou conhecido como “apagão”, analisado em seu livro O apagão: por que veio, como sair dele. Além do trabalho científico propriamente dito, interessava-se por filosofia e história da ciência. Assim, fundou e lecionou no Programa de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da UFRJ. Esta vivência resultou na publicação do livro Tecnociências e humanidades: novos paradigmas, velhas questões, em 2 volumes, publicado pela Editora Paz e Terra, em 2006, indicado para receber o Prêmio Jabuti naquele ano.
Outro tema de suas preocupações foi o problema das mudanças climáticas, ora em curso. Desde 1998 foi autor ou revisor dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, entidade que recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Pouco depois foi designado secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, representando a entidade no Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Afastou-se do órgão em 2016 por discordar do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Militou em diversas instituições ligadas a Ciência: membro da ABC-Academia Brasileira de Ciência; do conselho da SBPC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência; do Conselho Pugwash, entidade fundada por Albert Einstein e Bertrand Russel, votada para o combate ao armamento nuclear; secretário-geral da SBF-Sociedade Brasileira de Física e presidente da Associação Latino-Americana de Planejamento Energético. Faleceu em 3/3/2022 e deixou extenso legado com a orientação de mais de 100 teses e dissertações e 7 livros publicados. Deixou também uma autobiografia: Memórias: De Vargas a Lula – A resistência à ditadura e ao neoliberalismo, publicada no ano de sua morte, pela Editora Contraponto, um relato sobre suas escolhas políticas.
No cinquentenário da COPPE, em 2013, a revista Engenharia e Inovação: a arte de antecipar o futuro, publicou amplo painel, incluindo sua entrevista, onde declarou que “a política é indissociável da universidade” e reiteirava: “A universidade não é pura academia, pura ciência, é um lugar crítico, onde se pensa sobre o que acontece”.
Perfeito. Como sempre. Parabéns, mestre José Domingos.
Grato Mestre
O próximo memorável é um conhecido seu: Catulo da Paixão Cearense
Mais um grande nome selecionado para o “Memorial”. Grande Brito! Parabéns pelo assíduo trabalho.
Grato Roberto!
Você, na condição de prof. Livre Docente da POLI/USP, colega, talvez amigo de Pinguelli Rosa, sabe do tamanho de sua grandeza.
Eu tive a honra de ser seu aluno em 200 na disciplina Teoria do Conhecimento 2 quando fazia mestrado na COPPE. Ele passaeava com confiança em diversas áreas da ciência, explicando sua evolução desde o princípio da humanidade até os tempos atuais, com maior enfoque a partir do século XIX com a revolução científica. Excelente professor que me ajudou muito a me interessar pelá área científica, embasando os conhecimentos de engenharia que preciso no dia a dia.
Cabra bom! queria ter um filho assim!!