João Kopke nasceu em 27/11/1852, em Petrópolis, RJ. Advogado, professor, pedagogo, escritor e primeiro autor da literatura infantil brasileira, abrindo caminho para a extensa obra de Monteiro Lobato. Lecionou durante anos em São Paulo, envolvido na causa republicana e foi pioneiro na divulgação de modernas técnicas pedagógicas, com especial atenção à criança e ao ensino da leitura.
Filho de Felisbella Candida de Vasconcellos e Henrique Kopke, português de ascendência alemã. O velho Kopke, junto com seu irmão Guilherme, fundou o Colégio de Petrópolis, em 1850, que ficou conhecido como o famoso Colégio Kopke, atualmente “Escola Municipal João Kopke”. Concluiu o curso primário no colégio do pai e o secundário no Colégio São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro. Mudou-se para o Recife, aos 19 anos, para estudar na Faculdade de Direito, mas logo transferiu-se para São Paulo, onde concluiu o curso aos 23 anos.
Na época a cidade fervia com as novas ideias políticas, quando em contato com Francisco Rangel Pestana e Antonio da Silva Jardim, passou a engrossar o coro dos republicanos. Ainda cursando a faculdade, casou-se com Maria Isabel de Lima e foi dar aulas particulares. Logo formado foi nomeado promotor público em Faxinal e depois transferido para Jundiaí e Campinas. O envolvimento com a causa republicana foi intensificado e, ciente que a instrução pública é a mola propulsora do progresso social, passou a dedicar-se ao magistério a partir de 1878.
Conta-se que era um excelente professor no trato com as criaças. Lecionou Inglês, Francês, Italiano e Geografia no Colégio Rangel Pestana; e Filosofia, História, Geografia e Retórica no curso prepartório, anexo à Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1880, mudou-se para Campinas e passou a lecionar no Colégio Culto à Ciência e no Colégio Florence. Imbuído do espirito republicano e positivista, fundou junto com Silva Jardim a “Escola Primária da Neutralidade”, em 1884, indicando a imparcialidade que deveria guiar os passos da ciência e do saber. Era uma escola destinada a crianças de ambos os sexos, algo novo para a época.
Em 1886, mudou-se para o Rio de Janeiro e fundou o Instituto Henrique Kopke, tendo como modelo o ensino ministrado na Escola Primária da Neutralidade. No mesmo ano o Instituto recebeu autorização do governo imperial para ministrar aulas no ensino primário e secundário, conquistando boa parte da elite carioca. Ainda em 1886 fundou uma associação de professores e no ano seguinte foi designado membro substituto do Conselho da Instrução Primária e Secundária da Corte. Na República seu Instituto foi oficializado como escola padrão, por decreto do presidente Prudente de Morais.
Permaneceu na direção do Instituto até 1897, e foi nomeado pelo presidente Campos Salles como Oficial do Registro Geral e de Hipotecas do Rio de Janeiro, i.é, ganhou um cartório, mas continou dedicando-se a pedagogia até o falecimento em 28/7/1926. Seu último trabalho se deu em 1923 na primeira rádio do Brasil -Rádio Sociedade do Rio de Janeiro- com o programa “A Hora da Criança”, onde era chamado de “Vovô”, e divulgava um novo método de alfabetização através do rádio. Como “entretenimento”, o programa contava histórias infantis difundindo no público o gosto pela leitura.
Sem querer, deu incio à formação da Literatura Infantil Brasileira. Hoje é desconhecio do público como importante educador na História do Brasil; porém, vem sendo reconhecido no meio acadêmico.
Em 2014, a profª Norma Sandra A. Ferreira, da Faculdade de Educação da UNICAMP, defendeu tese de livre docência: Um estudo sobre “Versos para os pequeninos”: manuscrito de João Kopke, e descobriu que ele foi o precursor de Monteiro Lobato, a quem foi atribuída a inauguração da literatura infantil brasileira. Em 2015, a profª Maria do Rosário Longo Mortatti fez uma breve biografia e balanço de suas contribuições à educação e ensino e escreveu o capitulo 3 – João Kopke (1852-1926) na história do ensino de leitura e escrita no Brasil- do livro Sujeitos da história do ensino de leitura e escrita no Brasil, publicado pela Editora da UNESP e que pode ser acessado clicando aqui.
É um bom candidato à realização de uma biografia mais detalhada e melhor divulgada por algum estudioso da educação no País. Tem vasto material publicado e noticiado nos jornais da época. Trata-se de um trabalho de ampliar as pesquisas e levantamentos. É merecedor do apoio do Ministério da Educação. Hoje quando tanto se fala em “Escola sem Partido”, o profº Kopke fazia a “Escola da Neutralidade” há mais de 100 anos.
Você continua brilhante, ilustrando líderes do Brsil de ontem para os jovens de hoje.
Abração do Carlos Eduardo
Carlão
Mais brilhante é você com suas crônicas do Recife antigo .
Mais um gol de José Domingos. Viva. Abraços.
João Kopke, precursor da literatura infantil. Não fosse sua minibiografia publicada aqui nesse espaço nobre do JBF – onde cabe todo mundo – no coração do editor Luiz Berto, a gente não teria tomado conhecimento dessa figura tão importante da história da literatura oficial.
Meus sinceros parabéns.
Pois é Cícero, eu também não sabia. Agora sabemos quem é o avô da nossa literatura infantil