Catulo da Paixão Cearense nasceu em 8/10/1863, em São Luís, MA. Poeta, músico, compositor, teatrólogo e relojoeiro. Conhecido como “Poeta do Sertão”, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura, em 1933 por Fernando Pessoa e o único brasileiro a ser citado num poema do famoso poeta português.
Filho de Maria Celestina Braga e do cearense Amâncio José da Paixão Cearense. Aos 10 anos mudou-se, com a família, para o sertão do Ceará e aos 17 mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar como relojoeiro. Conviveu com vários chorões, como João Pernambuco, Viriato Figueira da Silva e Anacleto de Medeiros. Cantador e violeiro, logo passou a levar a vida na boemia. Associou-se ao livreiro Pedro da Silva Quaresma, dono da Livraria do Povo, que passou a editar seus folhetos de cordel.
Aos 19 anos compôs sua primeira modinha famosa Ao Luar; largou os estudos; trocou a flauta pelo violão e passou a dedicar-se mais à vida boemia, cantando modinhas. Compôs algumas como Talento e formosura, Canção do africano e invocação de uma estrela. Noutras composições, teve parcerias com Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Francisco Braga. Por essa época publicou duas coletâneas de autores diversos: O cantor fluminense e O Cancioneiro popular.
Casou-se aos 21 anos com Hermelinda Aires da Silva, passando a levar uma vida modesta. Foi um autodidata e costumava dizer “aprendi música, como aprendi a fazer versos’. Aprendeu a ler em casa com sua mãe e pegou rápido o hábito da leitura. Foi um obcecado por livros e professor dos filhos do Conselheiro Gaspar da Silveira, que lhe possibilitou o acesso à Biblioteca do Senado do Império. Em 1908 fez uma apresentação de modinhas ao violão no Conservatório de Música e compôs o primeiro poema em 1912: O Marrueiro, um dos seus apelidos. Em seguida foi convidado pelo presidente Hermes da Fonseca e a primeira dama Nair de Tefé para um recital no Palácio do Catete. Além de Hermes da Fonseca, Catulo fez apresentações para os presidentes Nilo Peçanha, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes e Getúlio Vargas, todos admiradores de sua música.
Em 1914 compôs a música Luar do sertão, reconhecida como “hino nacional do sertanejo”, gravada com mais de 150 interpretações, em parceria com João Pernambuco, e registrou sem citar o parceiro. Na disputa judicial Villa-Lobos, Pixinguinha e Almirante depuseram a seu favor e teve seu nome incluído. Os dois foram responsáveis pela introdução do violão nas festas da elite carioca no começo do século XX. Este pioneirismo deixou-o envaidecido, conforme registrou mais tarde: “O grande feito, aquilo que mais me encanta no meu passado é a reabilitação do violão e a reforma da modinha”. Entre suas obras poéticas, destacam-se Um caboclo brasileiro (1900), Poemas bravios (1925), Fábulas e alegorias (1934), Um boêmio no céu (1938) e Modinhas (1943).
Fato curioso e pouco conhecido é o apreço de Fernando Pessoa por sua poesia. Em 1933 chegou a indicá-lo ao Prêmio Nobel de Literatura, conforme registra artigo publicado na revista Letras, nº 49, de 1998, da Editora da UFPR: “Pessoa entendia que, em nossa língua, ‘o único poeta vivo cuja obra, com os seus evidentes defeitos, correspondia às condições fundamentais’ para alcançar tal premiação era Catulo da Paixão Cearense”. Tal apreço é confirmado pelo biógrafo de Fernado Pessoa, José Paulo Cavalcanti Filho, que afirma ser Catulo o único brasileiro citado num poema de Fernando Pessoa: Minha vida tem sido, em suma,/ Reles e obscura,/ Sem ventura nem desventura,/ Sombras de trapos na bruma./ Como um caixeiro tenho ficado/ A um balcão nullo,/ Não acontece estar amante, Catullo/ Nem a pasta, conselho de Estado.
Catulo vivia numa pequena casa de Engenho de Dentro, quase no meio do mato, onde os lençóis serviam de paredes para os cômodos. Ali recebia admiradores, escritores, acadêmicos sempre em concorridas feijoadas regadas a cachaça. Faleceu aos 83 anos, em 10/5/1946, e o cortejo funerário contou com uma multidão embalada ao som de Luar do sertão. Tinha convicção do valor de sua poesia e aos que comentavam o fato de ser um autodidata, sem cultura formal, dizia: “com gramática ou sem gramática, sou um grande poeta”.
Em 2018, o Selo SESC prestou-lhe uma homenagem com o lançamento do álbum A paixão segundo Catulo incluindo suas principais canções. Em 2016 foi lançada uma apurada biografia escrita por Luiz Américo Lisboa Júnior – Da modinha ao sertão: vida e obra de Catulo da Paixão Cearense -, publicada pelo Instituto Geia, com prefácio do ex-presidente José Sarney.
Nome curioso. Sempre achei que era um pseudônimo. Mais uma lição aprendida.
Eu também
Registro perfeito. Viva o mestre José Domngoss.
Grato Padre José Paulo
pela benção
Boa, Brito.
Lembrarmo-nos de Catulo da Paixão Cearense é de alguma forma lembrarmo-nos de um Brasil que poderia dar certo.
Forte abraço,
Airton
Boa Airton
Um cabra com um nome de batismo como esse, não tinha como dar errado!
Parabéns, José Domingos!
Grato Nonato
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