Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu em Palmares, PE, em 9/5/1895. Poeta e folclorista, foi protagonista da 2ª fase do Movimento Modernista de 1922, no Recife, com uma poesia destacando a temática regional. Foi o primeiro poeta brasileiro a gravar seus poemas declamados em disco.
Filho de Maria Luísa Gonçalves Ferreira e Antônio Carneiro Torres. Foi reconhecido como inovador pelos poetas Manuel Bandeira e Mário de Andrade, que ressaltou no seu artigo “Ritmo novo: “Só mesmo Ascenso Ferreira trouxe para o modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo”. Segundo alguns críticos, ele apresenta o “modernismo brasileiro como uma pluralidade mais ampla do que a iniciativa de um grupo de autores paulistas’.
Aos 16 anos publicou seu primeiro poema – Flor fenecida – no jornal A Notícia de Palmares, em 1911. Mudou-se para o Recife em 1920, tornou-se funcionário público e passou a colaborar com o Diário de Pernambuco e outros jornais. Em seguida, casou-se com Maria Stella, filha do literato Fernando Griz. Pouco depois, integrou o Movimento Modernista e em 1927, incentivado por Manuel Bandeira, publicou seu primeiro livro Catimbó e logo viajou pelo País, promovendo recitais de poesia.
Em 1933 conheceu Maria de Lourdes Medeiros e passou a viver com ela também. Em 1941 publicou o segundo livro Cana Caiana. O terceiro livro Xenhenhém logo ficou pronto, mas só foi publicado em 1951 e foi o primeiro livro surgido no Brasil apresentando um disco de poesias recitadas pelo autor, incluindo o poema O trem de Alagoas, musicado por Heitor Villa-Lobos.
Em 1955, participou da campanha presidencial de Juscelino Kubitschek e foi nomeado para a direção do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife. Porém, foi cancelado devido a pressão de um grupo de intelectuais recifenses que não aceitava o poeta e boêmio irreverente no cargo. Foi nomeado, então, assessor do Ministério da Educação e Cultura.
Em 1963, a Editora José Olympio relançou seu primeiro livro Catimbó, junto com outros poemas. Na década de 1980, Alceu Valença reavivou a memória do poeta junto ao grande público com a música Vou danado pra Catende, com versos extraídos do poema O trem de Alagoas, num arranjo renovado e ritmado como um trem em movimento.
Era uma figura exótica, com quase 2 metros de altura, gordo, alto e usava um chapéu de abas largas. Era um boêmio, estava sempre com um charuto na mão e recitava seus versos com grande personalidade e graça. Em seu poema intitulado ironicamente “Filosofia”, escreveu:
Hora de comer – comer!
Hora de dormir – dormir!
Hora de vadiar – vadiar!
Hora de trabalhar?
Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
Em 2015 a CEPE-Companhia Editora de Pernambuco, publicou a coletânea Como polpa de ingá maduro: poesia reunida de Ascenso Ferreira, organizado pela doutora em Línguas Hispânicas e Literatura pela Universidade da Califórnia, Valéria Torres da Costa. Faleceu em 5/5/1965 e a Prefeitura de Recife prestou-lhe homenagem com uma estátua sua na Rua do Apolo, no Recife, onde o poeta gostava de caminhar.