CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Cartaz em DVD de Orca – A Baleia Assassina

O filme Orca – A Baleia Assassina, dirigido por Michael Anderson, que estreou a adaptação do romance “1984”, de George Orwell, que reverberou os medos onipresentes de 1956, dirigiu “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1984), narra a história da trágica morte da companheira de Orca, baleia prenha, pelo capitão de navio pesqueiro, Nolan (Richard Harris).

A intenção do barqueiro Nolan era capturar um tubarão branco, mas o arpão acabou atingindo um animal inocente, a baleia prenha. Inconformado com a tragédia, o macho direciona toda sua fúria e poder de morte para o porto de pescadores. Sob a pressão dos aldeões, Nolan, terá de fazer alguma coisa para expulsar o animal das redondezas.

Estreado em 1977, Orca – A Baleia Assassina, apresenta o capitão Nolan (Richard Harris), um comandante que acidentalmente mata uma baleia fêmea prenha. O interesse do capitão era o de capturar um tubarão branco para o aquário da cidade, mas a baleia foi o que veio primeiro. Então, o aventureiro capitão não se conteve e dizimou o que viu pela frente. O macho, no fundo e numa perspectiva “ponto de vista”, assiste a tudo, impotente. Talvez essa seja uma das melhores personificações do cinema, pois a forma como o animal assiste ao abate da fêmea e a retirada do feto das entranhas dela, provoca-lhe uma revolta sem paralelo! Há um trecho que o design de som deixa bem nítido essa revolta: o som do choro do animal.

Tomada pelo sentimento de tristeza, a orca começa o seu projeto de vingança e a ideia é destruir a tudo e a todos. Objetivos gerais? Vingar-se pela morte da companheira. Objetivos específicos? Destruir a cidade, matar a todos e dar aos humanos o que eles merecem. Justificativa? Não se deve fazer mal aos animais, principalmente aos que estão praticamente em extinção. Procedimentos metodológicos? Infernizar a cidade, destruir as possibilidades de curtição dos turistas, vingar-se de todos e atrair os diretamente culpados pelo massacre da “família arca” para um terceiro ato similar ao colega de gênero cinematográfico – Tubarão (1974) – dirigido pelo magno Spielberg, mais experiente, o que designa uma espécie de referências consultadas.

A Ooca não vai conter qualquer instinto e destruirá boa parte da cidade, algo que pede a suspensão da crença por parte do espectador. Com cenas gravadas num tanque e com a presença de alguns animatrônicos em determinados trechos, o filme possui uma narrativa arrastada, mas não absurda. A trilha sonora é do genial Ennio Morricone, aclamado compositor italiano de western e dramas edificantes, dá dignidade ao filme, adaptado do romance Tubarão, do escritor americano Peter Benchley.

Há uma polêmica que envolve o filme, similar ao título do clássico O Massacre da Serra Elétrica (2003). Quando divulgado no Brasil com o título traduzido, espectadores alegaram que o instrumento criminal de Leatherface (personagem fictício da série de filmes Slasher The Texas Chain Saw Massacre), é um motosserra, haja vista a impossibilidade de um maníaco utilizar uma serra elétrica nas circunstâncias apresentadas pelo filme.

No caso de Orca – A Baleia Assassina, a questão é polêmica pelo fato da Orca ser parte integrante da família dos golfinhos, não das baleias, o que traz toda uma confusão biológica em torno do animal. A confusão não chega a atrapalhar o roteiro de Luciano Vincenzoni e Sergio Donati, tampouco a direção de Michael Anderson.

Em seus 92 minutos, Orca – A Baleia Assassina nos mostra que é uma história de revanche e vingança justificada. A referência ao clássico Moby Dick, de Herman Melville, (romance publicado em 1851), é evidente. O capitão Nolan é uma versão do Capitão Ahab da obra literária, numa prova de como os fios que entrelaçam essa narrativa são oriundos de uma rede que lembra um rizoma, com colaborações de todos os lados e uma maneira de se espalhar que segue direções variadas e toma de empréstimo elementos da literatura clássica, como textos bíblicos, de histórias da vida real e do próprio cinema, como é o caso desta narrativa que se firmou como o derivado de Tubarão, com maior projeção na época.

Orca – Trilha sonora de Ennio Morricone

Um comentário em “ORCA – A BALEIA ASSASSINA – NÃO É UM FILME GROTESCO

  1. O ano era 1979. Eu residia na cidade de Belo Jardim, pois o meu pai, trabalhando no DNOCS, estávamos sempre mudando de cidade.
    Pois bem. Fomos ao cinema assistir a esse filme. Eu fiquei impressionado. Principalmente com a trilha sonora. Aquilo me fascinou.
    Anos depois, perambulando por algumas lojas no centro do Recife, entrei nas Americanas, lá no centro da cidade. Indo à sessão de filmes, encontrei o DVD.
    Comprei-o e anos depois, encontrei outra versão com o making off e cenas adicionais que não entraram na versão dos cinemas e dos dvd´s.
    É uma excelente lembrança da minha infância.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *