Tinha ciência que era longe e difícil, mas, ainda assim, resolvi ir. Segui o conselho de um amigo e caí na estrada. Tinha que ir, o coração mandava. E fui, assoviando e chupando um dim-dim de cajá-imbu.
Deparei-me com o vento fazendo a curva numa esquina distante. Não era a esquina em que eu queria chegar. Na verdade, estava a mais ou menos umas doze léguas da fronteira com as Cucuias.
Continuei, caminho longo e poeirento, bem pra lá do muito longe, era quase o fim do mundo … Foi lá, numa praça quase deserta de gente, que vi uma mulher bonita dando milho aos pombos, dezenas deles, tão felizes quanto a bela mulher de generosas mãos.
Continuei. Avistei castelos, museus, pontes, matas e mares. Até aquela casa famosa vi, mas nela não pisei: ao conrtário, passei longe: não me interessava intimidades com o habitante daquela residência.
Fui até onde o cão chupa manga ‘atrepado’ num pé de coentro. De nada adiantou. Nada! Cheguei bem perto do quinto dos infernos mas parei. Clima muito quente e, pelo que soube, lá não tem ar-condicionado e eu sou muito calorento. Andei, andei e andei e quando dei fé estava de volta ao começo.
Desisti. Não achei, nem nos Cafundós do Judas, as botas por ele perdidas … Onde as perdeu? Nao sei. Aguardo a dica de alguém. Quem sabe volte a procurá-las: basta que Deus dê bom tempo e minhas pernas cansadas permitam. Um dia acho as danadas dessas botas …

Mas para quê?, mestre Xico. Se não vai usar as tais botas, pra nada. Sempre lhe vi só de alpercatas. E aparentemente satisfeito, com elas. A menos que deseje dar ditas botas de presente a algum amigo. Nesse caso, sugiro o Papa Berto. Há braços.
E eu aceitarei com muito prazer e alegria !!!
Gravata, dei a Zelito Nunes; Paletós, a Geraldo Brito, da Serra do Araripe; as botas, quando as achar, darei-as ao Papa Luis Berto; e ao Mestre José Paulo, o que oferecer ?, senão livros de minha pequena (mas seleta) biblioteca.
Se, por um azar daquele, ele perdeu as botas nos arredores dessa posição geográfica 15° 48′ 03″ S (latitude) e 47° 51′ 41″ O (longitude), nunca mais será encontrada!
Caro VBP
Sobre sua sugestão geográfica, apenas digo com todo o receio de um homem previdente:
Eu não entro em toda casa
Tenho medo de espantalho
Tem lugar que me arrasa
Sem teto nem assoalho
Por isso, nesse momento,
Lhe garanto, não frequento
Essa casa do caralho!
Ando sempre com cuidado
Tem lugar muito esquisito
Pra não sair chamuscado
Deixo o dito por não dito
Iria, com muito prazer
Procurando, no correr,
Essa casa do Priquito!
Seus livros já li e não canso de elogiar. Viva o mestre Xico!!!
Refiro-me aos livros dos outros, que leio, releio e não canso de fazê-lo. Falo dos de Zelito, de Jessier, os de Luiz Berto, os de Maciel Melo, os dos Poetas Pernambucanos, os de Manoel de Barros. os de um certo JuristAcadêmico e ex- Ministro chamado ZéPaulo, o mais recente de dona Lectícia, dentre outros …
Tem bom gosto, não dá para negar. Viva o mestre Xico.