Três constatações após a abertura das Olimpíadas:
1. Na antiga Grécia, as guerras paravam para a realização dos jogos, que eram considerados sagrados. Nos jogos de hoje, as guerras prosseguem normalmente. Um dos países que está em uma das guerras está excluído dos jogos, porque foi considerado (por quem?) “do mal”. Na outra guerra, os dois países envolvidos participam porque foi decidido (por quem?) que é um caso diferente, e ambos são bonzinhos, apesar de estarem se matando mutuamente.
2. Paris demonstrou ter vergonha de ser francesa e européia e decidiu enfatizar, a cada minuto, a “diversidade” e a “inclusão”. Mas essa diversidade só incluiu a África sub-saariana. Não vi rostos que representassem etnias das Américas, ou da Ásia, ou mesmo do norte da África (com exceção de Zidane). Se a intenção foi se penitenciar pela época do colonialismo, poderia ter trazido alguém do Quebec, ou da Louisiana, ou do Líbano, ou do Vietnam, ou da Índia, ou do Caribe.
3. Poucas coisas simbolizam tão bem os tempos em que vivemos como ver uma delegação de atletas olímpicos, fazendo parte de uma elite que abrange 0,0001% da população do mundo, desfilando pelo Sena, sendo vistos por mais de 300.000 pessoas ao vivo e mais de um bilhão pela TV no mundo inteiro, e constatar que muitos desses atletas, ao invés de olhar para este momento único com seus olhos, prefere filmar ou fotografar com seu smartphone.