MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Conheço uma mulher, atualmente com 59 anos, separada, um filho de 20 anos, que mora com uma irmã e uma senhora que ambas cuidam. Ao que parece a família recebe alguma ajuda financeira dos familiares dessa senhora e o filho tem um trabalho que não deve gerar uma renda fabulosa. Em meio a tanta necessidade, sugeri que ele procurasse a justiça para tentar receber alguma ajuda do ex-marido e ele me disse que já tinha feito isso, mas que ele alegou não ter condições, por não ter emprego certo, e contribui com R$ 150,00, quando pode. Ao que parece, a questão judicial morre aqui.

Uma ocasião, ela alegou dificuldade para ler, para enxergar, e eu orientei como ela deveria fazer para marcar uma consulta no posto de saúde e ser encaminhada a um oftalmologista. Algumas pessoas amigas que atuam na área de saúde pública, também orientaram como fazer. Em suma: acho que ela não soube fazer porque não conseguiu marcar nada, mas independente disso, conseguiu uma consulta numa clínica popular e, também, conseguiu os óculos.

Mais recentemente, ela falou sobre problemas dentários e eu orientei os mesmos passos: procure o posto de saúde que lá você será encaminhada. Foi diversas vezes e não consegui, até que alguém conseguiu um tratamento e hoje ela está com diversos pontos na boca, mas, o importante é que resolveu. Mais uma vez ela fez críticas a não conseguir nada pelo SUS e eu, inocentemente, disse: “Pois é! E o presidente ainda fica falando que o SUS é uma maravilha. Ele não precisa do SUS, por isso, fala besteira”. Pronto: segundo Newton toda “a toda ação corresponde uma reação igual e oposta”. O que se seguiu foi um texto contundente de agradecimento ao presidente. Começou assim: “Não é o presidente! São os prefeitos. Graças a Lula eu tenho meus remédios de graça.”

Trago esse relato para apoiar, mais uma vez, minha argumentação da falta de visão coletiva de grande parte da população. Uma pessoa com recursos limitados, com necessidade de atendimento médico urgente, inclusive ela usa medicação para problemas cardíacos, agradecer um fato que é obrigação do Estado, segundo reza a constituição federal. São comportamentos assim que não permitem avanços na gestão pública do Brasil. A população se contenta uma caixa de enalapril – que custa R$ 8,65 – e por isso fica sem capacidade de cobrar agilidade na fila do atendimento do SUS que hoje está perto dos 60 dias. Isso mesmo: quase dois meses para um atendimento no SUS após a marcação da consulta.

O país mergulhado num caos, sem precedentes, com prejuízo de R$ 55 bilhões nas estatais, com um poço de areia movediça que engole o supremo tribunal federal, com ministros sendo beneficiados, financeiramente, com valores superiores a uma premiação da megasena acumulada, com ministros proibindo acesso a sigilo fiscal, bancário e telemático de determinadas figuras, e parte da população, principalmente aqui no Nordeste, agradecendo a miséria na qual vive.

Fique claro: sou nordestino, tenho orgulho disso, sou absolutamente contra preconceitos de qualquer natureza e, lamento muito aos apupos de xenofobia de algumas pessoas do sudeste ou do sudeste. Não é o local de nascimento que te faz melhor do que outra pessoa. São Paulo elegeu Adhemar de Barros (“roubo mais faço”), Paulo Maluf, Celso Pitta. O Rio de Janeiro elegeu Cabral, Pezão, Garotinho. O Rio de Janeiro teve 7 governadores presos. Minas elegeu, Aécio Neves, Pimentel, Azeredo que foi o responsável pelo mensalão mineiro e capacitou Marcos Valério a implantar um sistema idêntico de âmbito nacional. Então, isso demonstra, nitidamente, que a escolha política equivocada não é privilégio do nordestino ou do nortista miserável.

Todos dizem que num país sério por parte dos nossos políticos estariam na cadeia. O caso do Peru é notório. Políticos na cadeia por conta da corrupção da Odebrecht. Apenas para resgatar casos escabrosos, não custa lembrar que a ex primeira-dama do Peru foi resgatada pela força aérea brasileira e ganhou a proteção do governo brasileiro, não como foragida, mas com status de ação humanitária. De modo igual, Cesare Batistti, terrorista italiano, foi considerado como perseguido politicamente, quando famílias de pessoas assassinadas por ele denunciavam e pediam extradição. Foi preso na Bolívia e ao chegar na Itália, confessou que participou dos atos terroristas que mataram 4 e deixaram uma pessoa paraplégica.

Não mudaremos esse país com a essa mentalidade absurda de agradecer pela miséria que vivemos, pela falta de médicos e equipamentos nos postos de saúde ou nos hospitais públicos, pelos remédios comprados pelos governos com prazo de validade próximos ao vencimento. Não mudaremos esses país enquanto fecharmos os olhos ao absurdo que a corrupção provoca ou ao fato de um ministro se considerar acima da lei.

Não mudaremos esse país se a gente não conseguir mudar o congresso nacional. Tirar de lá pessoas compromissadas com esses desvios de conduta e colocar pessoas que não tenha crimes a responder, para que não fique sob a vigilância da lei. Talvez não estejamos falando de procurar inocentes, mas de coerentes.

3 pensou em ““OBRIGADO, LULA!”

  1. Bom dia nobre Assuero por mais um belo texto. O brasileiro em si é ruim de memória, passa a eleição e após noventa dias muitos não lembram em quem votou. Com tudo isso há um outro porém, um partido coliga-se com outro e muitas vezes trás pra dentro do legislativo figuras que enojam, apesar de não ter recebido votos suficiente, alguém puxou ele. No meu modo de ver, essa criatura, muita das vezes acham que não deve satisfação a ninguém, é um peso morto a sugar de nossos suados e escorchantes impostos.

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