CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Walmir Chagas, o Véio Mangaba, em “Amor Paregórico”

Todos nós pernambucanos devemos ao múltiplo artista Walmir Chagas sinceros aplausos e a louvação digna daquelas que dedicamos aos santos.

Topei com o Véio Mangaba, certo dia, não sei onde, e quase palavras não tive para cumprimentá-lo porque logo comecei a rir com suas presepadas mesmo fora do palco.

Para homenageá-lo com estas notas, de muito gosto, sirvo-me de pesquisa em várias fontes, principalmente no livro de Renato Phaelante: “MPB – Compositores Pernambucanos” – porque pouco o conheço.

Todavia, minha admiração começou quando numa Campanha Eleitoral para Governador de Pernambuco ele fez personagem de um chinês incrível, com diálogos que empolgavam pela hilariedade dos gestos e improvisação do idioma oriental..

Talvez haja sido na Campanha de Joaquim Francisco, candidato que se elegeu e fez excelente gestão administrativa do nosso Estado. Não me lembro bem. Tentei telefonar para confirmar mas não consegui.

Walmir é um artista popular, com formação acadêmica, que tem renovado o teatro típico do circo, adaptando chavões, frases, música e atitudes pelos palcos do mundo. Já se deslocou para apresentações de suas palhaçadas para Israel, Portugal, Espanha e Estados Unidos.

A começar pelo nome que caracteriza seu personagem principal – o Véio Mangaba – tudo nele inspira alegria pois provoca o riso inocente que contamina crianças e adultos imediatamente.

Se louvo com toda a potencialidade do meu coração, o artista é porque seu personagem me traz de volta os anos da infância, quando meu pai organizava pastoris e mamulengos na Vila dos Remédios, no bairro de Afogados.

O Véio Mangaba é o reconhecimento do artista aos velhos Barroso e Faceta, ambos integrantes do mundo encantador do teatro improvisado nos circos.

Mas ele soube superar essas figuras porque é, por natureza, um criador de tipos multifacetados.

Walmir é um homem de multiplicidade impressionante, pois é perfeito como músico, compositor, ator, palhaço, dançarino e pesquisador. Quando menino em circos mambembes, apresentava-se como cantor e ator, geralmente em peças engraçadas.

Temos semelhanças a respeito dos tempos em que fizemos arte teatral.

Aos 15 anos eu já pisava o palco do Teatro Santa Isabel, no Recife e do Teatro Regina, no Rio de Janeiro, participando do Teatro de Amadores de Pernambuco. Mas era em peças dramáticas.

Ele, entretanto, aprofundou-se nos estudos para apresentar sua arte em novo estilo. Aos 16 anos ingressou no Conservatório Pernambucano de Música, e concluiu cursos de Teoria, Solfejo e Prática. Antes de ser homem feito fez curso e estágio na Orquestra Sinfônica do Recife.

Na década de 1970, quando Ariano lançou o Movimento Armorial, criou o Balé Popular do Recife, Walmir se tornou o primeiro solista do Grupo e um dos seus fundadores. Tem participações em vários CDs independentes, inclusive com “Opereta do Recife. ”

Suas composições musicais para peças teatrais se notabilizaram e foram muitas, dentre elas: “Véio Mangaba e suas Pastoras”, para campanha eleitoral no Recife que em 1993, tema que varou meio mundo.

Para finalizar este agradecimento em forma de louvação, como já disse, cabe dizer que Walmir é um artista popular, que faz rir e se diverte com suas próprias invenções. Ri dele mesmo. Para isso aplica a malícia, a esperteza e a safadeza, que são algumas de suas qualidades.

Uma de suas peças mais hilárias é “Amor Paregórico”, inspirada em antigo remédio popular – Elixir Paregórico”, que servia para males intestinais, evitar flatulências insalubres e outras congestões diarréicas do bucho humanóide.

Em suma, Walmir é um dos gênios do nosso teatro musicado.

E Viva o Véio Mangaba!!!…

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