JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Mãe ameaçando entregar a filha ao “véi do saco”

Alguém entre os maravilhosos leitores deste Jornal da Besta Fubana já viu uma “casa de avós” no interior, quando recebe os netos para um mês de férias?

Alguém já viu o “aperreio” que fica na casa, quando os netos chegam da cidade durante a noite? Alguém já viu aquele armar as redes, banhar e escovar os dentes antes de deitar?

– Meus fiinhos querem cumê alguma coisa? Pergunta a Avó, mais babona que preocupada.

Pois, uma ou até duas semanas depois de muitas brincadeiras, a mãe avisa para a mãe dela – nesse caso, a Avó – que quer dar um purgante para diminuir as lombrigas dos filhos.

– Você trouxe o remédio, minha filha? Pergunta a Avó.

– Trouxe mãe. Responde a filha.

– Entonces, bem cedim, antes do sol raiar, a gente acorda eles e dá o purgante!

Purgante de óleo de rícino, que saiu da roça em forma de mamona e foi industrializado na cidade grande. Uma verdadeira peste para quem um dia foi criança e precisava tomar. Precisava não. Era obrigado a tomar.

Galo cantava, e mãe e avó já estavam de pé. O frege na cozinha, era grande na preparação do café da manhã. A avó continuava preparando as tapiocas (para alguns, beijus) e o cuscuz de milho feito no prato. Leite de cabra fervia no fogo. Açúcar mascavo, batata doce e macaxeira cozida.

Do quarto, onde as redes estavam armadas, vinha a conversa:

– Acorde José. Acorde e abra a boca pra tomar um remédio! Dizia a mãe.

– Que remédio mãe? Eu num tô doente!

– Tá sim! Tá cheio de lombrigas! Vamos acorde e levante. Abra a boca!

– Eu num quero tomar remédio!

– Não quer? Mãe, a que hora o “véi do saco” passa aqui?

– Não mãe! Pelo amor de Deus! O véi do saco, não!

E foi assim que, durante muitos anos o “Véi do saco” entrou para a vida de muitos sertanejos, virou personagem de cordel, ajudou mães a resolver problemas de desobediência, e ajudou curar muitos meninos e meninas infestados de lombrigas.

Nos dias atuais, nenhum menino ou menina toma purgante. Tampouco conhece o milagroso óleo de rícino (mamona) aplicado e reforçado pelo famoso “Véi do saco”.

Casal administrando purgante numa filha

Aproveitando essa quarentena forçada pela pandemia, muitos estão vendo filmes da Netflix. Muitos estão viajando pela Internet, conhecendo coisas e lugares nunca vistos antes.

E é aí que quero mostrar algo que nunca havia visto, e acredito que vosmecês também.

Numa estrada, na Índia, o trânsito ficou interrompido por conta de uma serpente rara que chamou a atenção de quem por ali trafegava.

Não era uma serpente comum, dessas que até o Lula sabe encantar. Era uma serpente de três cabeças, como mostra a foto anexada.

Du-vi-d-ó-dó que você já tenha visto coisa igual. Já viu rato com nove dedos e vaca peidando. Agora, para ver coisa igual, só indo à Índia ou a Palmares, interior pernambucano.

Serpente com três cabeças

4 pensou em “O VÉI DO SACO – E A SERPENTE DE TRÊS CABEÇAS

  1. Sr Zé Ramos, lá pelo sul da gerais, no meu tempo de menino, a prefeitura marcava um dia para que, tanto os meninos e meninas moradores na cidade ou na zona rural, tomassem o meio copo de óleo de rícino anual. O sr pode imaginar como ficava a situação das criança moradoras da zona rural,quando o efeito do purgante fazia efeito antes da chegarem em casa. Hoje, o milagroso óleo de rícino, só ficou para,juntamente com alguns dentes de cravo- da- índia, servir para curar micose de unha dos pés. Bom domingo e boa prisão domiciliar para o senhor. Um abraço.

    • Paulo: era assim mesmo, como você escreveu. Não doía, mas metia muito medo, pois todos sabiam que a cagança seria de mais e em qualquer lugar que o cagão estivesse. Havia, também, uma injeção intramuscular que fedia mais que cu de sapo, que só o odor já apavorava. Quando a Enfermeira estava esterilizando o material dela, a gente já desabava naquele berreiro. Mas, o efeito positivo contra a gripe era quase imediato.

  2. Eu não entrei nessa de óleo de rícino. Agora, essa cobra de três cabeça é de assustar. O Cérbero do mundo que rasteja.

    • Assuero: você é ainda um homem jovem. Óleo de rícino é para quem tem mais de 70. Os jovens de hoje tomaram foi melzinho na chupeta, talquinho no bumbum, etc.

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