CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Caos da guerra com realismo e intensidade

Filmes de guerra são normais no cinema, mas nenhum conseguiu ter o mesmo impacto de “O Resgate do Soldado Ryan,” um dos melhores filmes de guerra já realizado na história do cinema no Século XX. Sua abertura é épica, sua qualidade técnica é deslumbrante. O diretor Steven Spielberg, um dos maiores cineasta da atualidade, usa muitos efeitos práticos. A movimentação de câmara é frenética e coloca o telespectador dentro do campo de batalha, onde tem uma ambientação realista demais e agonizante, com soltados sendo baleados, feridos, mutilados e mortos. Nessa abertura épica, que dura mais de trinta minutos o tiroteio, a água do oceano vira um mar de sangue humano.

Essa sequência inicial do desembarque na praia de Omaha, na França, é perfeita. Somos dignificados a assistir quase meia hora de situações brutais e ásperas, promotoras de um senso de perda muito forte, que casa com o fato deste ser um retrato fidedigno do que realmente acontecera no fatídico Dia D. Ainda não fomos apresentados aos personagens, não nos importamos com eles sob um viés formal, mas, mesmo assim, Steven Spielberg faz com que cada baixa seja impactante. A câmera é deslocada para o meio do confronto e o público sente o pesar da situação, como provavelmente nunca sentira anteriormente.

O trabalho sonoro do longa metragem impressiona, tanto a edição quanto a mixagem de som são sensacionais. O trabalho de edição e montagem é espetacular e sempre mantém um bom ritmo narrativo, além da excelente fotografia campal e a maquiagem. O roteiro nunca deixa a imersão de lado, mesmo quando o ritmo é mais calmo, com excelentes diálogos.

No elenco temos grandes atuações e uma história curiosa: Steven Spielberg queria que um ator desconhecido fosse contratado e escolheu Matt Damon que, ironicamente, ganhou o Oscar de melhor roteiro e melhor ator em “Gênio Indomável” em 1997, antes do lançamento de “O Resgate do Soldado Ryan” pelo trabalho de “Gênio Indomável,” o que trouxe mais holofotes ao filme.

Matt Dalmon está extraordinário no papel do soldado Ryan, apesar de aparecer no final do segundo ato. Ryan Hurst, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper e Adam Goldberg estão todos bem comprometidos no papel, mas quem tem maior destaque é Tom Hanks. Ele possui uma carga dramática excepcional e passa um conhecimento de general que impressiona. Ele passa o lado humano e a angústia pela morte de cada um soldado do seu grupo, ele sente a culpa pela morte.

Não é à toa que Tom Hanks foi indicado ao Oscar de melhor ator e ganhou. E o filme foi indicado a 11 Oscars, rendendo para Steven Spielberg a estatueta de melhor diretor. Um filme perfeito em som, fotografia, elenco, direção. Um filme bem escrito, emocionante, um dos melhores da carreira do diretor Spiolberg. O melhor filme de guerra já produzido.

O “Resgate do Soldado Ryan” é um filme genial sobre guerra, essa estupidez humana. Jamais aparecerá outro igual na história do cinema.

O Resgate do Soldado Ryan – Trailer Oficial

O Resgate do Soldado Ryan (1998) | Crítica | Review

4 pensou em “O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998) – UMA OBRA-PRIMA SOBRE A ESTUPIDEZ DA GUERRA

  1. Esse filme é mesmo fantástico. A cena do desembarque é realmente incrível, acredito que sem paralelo no cinema. Acredito que, em termos de filme de guerra, somente comparável à série BAND OF BROTHERS, que teve vários diretores, dentre eles Tom Hanks, com a produção executiva de Spielberg. Aliás, foi O RESGATE DO SOLDADO RYAN que me inspirou a escrever o conto A MÃE DO MENINO QUE ESTUDAVA INGLÊS, que postei aqui mesmo no JBF, mas a postagem se perdeu em uma pane no sistema.
    Se o Berto não se incomodar, vou até postar de novo, pra os leitores do JBF que não conhecem terem essa oportunidade.

    • Li e gostei muito da versão impressa de A HISTÓRIA DE ZÉ LUANDO – O HOMEM QUE VIROU MULHER, de Marcos Mairton .

      Espero que o editor não se incomode e permita a ele postar de novo o conto A MÃE DO MENINO QUE ESTUDAVA INGLÊS.

      • Opa, Jairo!
        Não posso deixar de responder o seu comentário.
        Fico muito feliz que você tenha lido a história de Zé Luando. E, convenhamos, tê-la escrito em 2010, quando o tema não tinha tanto espaço na mídia, me orgulha muito.
        A propósito, estou negociando com o dono da editora uma publicação em formato e-book, para dar mais alcance à obra.

        • 👍🏽

          O tema é relevante, tem hoje muito mais espaço na mídia, e uma publicação em formato e-book, para dar mais alcance à obra, faz todo o sentido.
          Boto fé.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *