Leandro Ruschel
Deixa eu explicar o que aconteceu com as Lojas Americanas de uma forma que qualquer pessoas entenda: imagine que o Seu João tem o “Mercadinho do João” num bairro. Ele tem alguns fornecedores, como a Dona Maria, que vende a ele tomates…
Digamos que a Dona Maria vende ao seu João uns R$ 2 mil reais de tomate por mês, que ele acerta todo dia 30.
Digamos que as vendas não sejam boas, e seu João fica apertado num mês, tomando empréstimo no banco para pagar dona Maria e outros fornecedores.
Seu João vai fazendo isso por alguns meses, até que o banco se nega a dar mais empréstimos, pois Seu João já está endividado demais. Então, um gerente malandro do banco oferece uma solução para João: pare de tomar dinheiro desse jeito. Mude o seu balanço!
Ao invés de lançar no balanço essa dívida, coloque como “contas a pagar” contra fornecedores, e vá pagando os juros mensais, lançando no balanço tais pagamentos como redutor dessa conta “fornecedores”. Assim, o banco não identifica como “dívida” e você pode tomar mais recursos.
Multiplique isso por 2 milhões e você tem a situação das Lojas Americanas. Agora que a sacanagem foi exposta, a empresa pediu recuperação judicial para evitar que os bancos exijam vencimento antecipado da dívida.
Alguém será preso por isso? Claro que não, pois estamos no Brasil.
Tramoia fiscal/tributária.
No fechamento pela holding haverão deduções e a conta sobra para o erário (povo) pagar.