O Brasil vive um momento de tensão gerado tanto por crises internas quanto por crises externas que se entrelaçam, fortalecendo a sensação de incerteza e de um futuro sólido. Todos nós crescemos ouvindo que o “Brasil é o país do futuro”. Para minha geração o futuro chegou, mas o país não mudou o status e seria ideal que o sentimento que nos reveste fosse de um pensamento coletivo onde as oportunidades pudessem se transformar em produtos e que estes chegassem às mesas, que estes gerassem renda e emprego.
Há muito que tempo que penso o Brasil como um cano furado em diversas partes, onde os dedos são insuficientes para tampar os buracos e estes, geralmente, são buracos cavados em tempos diferentes que nem todos os dedos alcançam mais. É extremamente dizer algo que a gente bata no peito e diga que aquilo nos traz orgulho.
No plano internacional, os desdobramentos da guerra envolvendo o Irã elevam o grau de instabilidade global. A escalada de tensões no Oriente Médio pressiona mercados, impacta o preço do petróleo e reverbera diretamente em economias dependentes, como a brasileira. A inflação importada e a volatilidade cambial tornam-se ameaças constantes, exigindo respostas rápidas de um governo que já enfrenta limitações fiscais e dificuldades de coordenação política.
Não custa lembrar que a situação de penúria em Cuba ressurge como um símbolo dramático do colapso econômico e social prolongado, catapultado com a saída de Maduro da Venezuela. Aquela simbiose mórbida mantinha um regime coeso onde a escassez de alimentos, energia e medicamentos expuseram, não apenas os limites de um modelo econômico exaurido, mas também os efeitos de décadas de isolamento. Mesmo que se diga que tal isolamento foi fruto das sanções, também é verdadeiro que as sanções foram frutos do regime. Para o Brasil, os cenários de Cuba e da Venezuela servem como um farol para a eleição desse ano, por um simples motivo: se estes países apresentarem melhoria na qualidade de vida das pessoas, o fracasso dos regimes servirá como argumento real de que esse modelo é fadado ao fracasso.
No campo político, o ambiente permanece polarizado, com instituições frequentemente tensionadas e uma agenda pública fragmentada, marcada mais por disputas narrativas do que por consensos estruturantes. O debate político, muitas vezes, tem se afastado das demandas concretas da população, como emprego, renda e segurança, dando lugar a conflitos simbólicos que pouco contribuem para soluções práticas. O assistencialismo continua sendo instrumento de persuasão de eleitores e resgato aqui um caso absurdo para fazer um paralelo: o suicídio coletivo de quase mil pessoal na Guina Francesa, conduzidas por um pastor Chamado Jim Jones. O mais surpreendente era uma pessoa ver outra morrer e repetir o gesto! É assim com o assistencialismo: as pessoas votam no governo para continuar na miséria recebendo ajuda do governo.
A educação, por sua vez, permanece como um dos maiores desafios estruturais. Indicadores de aprendizagem seguem aquém do esperado, desigualdades regionais persistem e políticas públicas carecem de continuidade e avaliação rigorosa. A evasão escolar, agravada por fatores como insegurança e vulnerabilidade social, compromete o futuro de uma geração e limita o potencial de desenvolvimento do país. O Brasil não consegue atingir uma boa nota no exame do PISA, não consegue sair das últimas colocações no conhecimento de Matemática e Leitura.
Não se pode deixar de lembrar que temos pesquisas extremamente promissoras, como no caso do trabalho de Tatiana Sampaio, mas tudo isso acaba sendo uma gota de água num oceano. Falta apoio, falta verbas, o contingenciamento de crédito imposto pelo governo tem a área de educação como um dos setores, sempre, incluídos para esse fim.
O que é interessante é que o mundo é evolutivo. As gerações que chegam tendem a fazer coisas mais preponderantes do que a anterior, não porque é formada por gênios, mas porque existem modelos e trabalhos desenvolvidos anteriormente que são aprimorados com novos conhecimentos e novas técnicas. É natural o processo evolutivo, mas no caso do Brasil, a coisa degenerou. Veja o caso do futebol.
Houve um tempo no qual um simples amistoso da seleção brasileira, parava o país. O futebol tinha vida no país do futebol. Para gente a coisa era como refúgio da identidade nacional e, para não me estender por muito tempo, convido a olhar a seleção de 1982. Perdemos a copa, mas lembro que um repórter disse “toda seleção tem uma estrela, o Brasil tem uma constelação”.
Não temos mais Zico, Eder, Roberto Carlos, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Sócrates etc. Não temos mais jogadores de preocupados em entrar em campo e jogar, temos jogadores preocupados com o corte de cabelo, com o brinco ou com a largam tatuagem à amostra. Não que isso, por si só, seja motivo de crítica, mas os valores são absolutamente diferentes.
A nossa seleção brasileira vive uma fase de desempenho medíocre que frustra torcedores e especialistas. A falta de padrão tático e não existem lideranças claras dentro de campo refletem, de certa forma, a desorganização mais ampla que se observa em outras esferas do país. O futebol, outrora símbolo de excelência e criatividade, hoje espelha dúvidas e inconsistências.
Diante desse cenário multifacetado, o Brasil parece caminhar entre oportunidades e riscos. A capacidade de articulação política, a responsabilidade fiscal e o investimento em áreas estratégicas serão determinantes para definir os rumos do país nos próximos anos. Mais do que nunca, será necessário transformar diagnósticos recorrentes em ações efetivas, sob pena de perpetuar um ciclo de crises que se retroalimentam.
O desafio central está em reconstruir a confiança — nas instituições, na economia e no próprio projeto de nação. Sem isso, qualquer avanço será frágil e temporário, incapaz de responder às demandas de uma sociedade que já demonstra sinais claros de cansaço e descrença. Eu já não sei mais o quanto falta para sermos alguma coisa.
Prezado Assuero, mais um primoroso texto como sempre. Ao meu ver, não domino politica, mas o exemplo do gestor anterior em colocar técnicos com conhecimento de causa para tocar seus objetivos e tarefas, havia uma esperança de que estávamos trilhando um caminho promissor. Houve a tragédia, colocaram essa criatura que aí se encontra, sem plano de governo, doando aos seus parceiros, ministérios de porteiras fechadas, fazendo um tour pelo mundo que só terminará se for desalojado de seu castelo, e sem contar que nunca desceu do palanque, cria bate bocas todos os dias para aparecer bem na fita, com países que não seguem sua cartilha, o resultado não poderia ser pior e o sofrimento do brasileiro só aumenta e angustia. Abraços!