COMENTÁRIO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem EUTRÓPIO

Jairo Juruna:

Xico Bizerra usou a figura de Eutrópio e a rua de uma casa só para construir uma divertida crônica recheada de ironia sobre a banalização do título de poeta no cotidiano e o ego inflado de quem se acha indevidamente um gigante da poesia.

Por meio da figura de Eutrópio, que se autodenominava poeta em sua solidão, o texto de Xico satiriza a mediocridade pretensiosa e, no final, o cronista adota um tom humilde, recusando o rótulo para si e exaltando poetas consagrados.

A confissão final do cronista, ao declarar que não tem a menor pretensão de ser poeta e que apenas escreve versos, ecoa a postura do apóstolo Paulo que, em uma de suas cartas destinadas a Timóteo (1 Timóteo 1:15), se intitulou como o pior dos pecadores, reconhecendo sua insignificância diante da grandeza divina.

É interessante ver nesta crônica o autor tratar da poesia como uma coisa muito maior, colocando-se abaixo de nomes como Manoel Bandeira e Fernando Pessoa, em uma posição de humildade semelhante à de Paulo perante Deus.

Em seus textos Paulo e o “enorme poeta, já consagrado, que é Xico Bizerra” utilizaram a hipérbole da autodepreciação para elevar o verdadeiro objeto de admiração: Paulo eleva a graça divina, e o cronista eleva a verdadeira arte poética, distanciando-se da figura narcisista de Eutrópio.

“Viva Xico, para sempre, eterno, viva!!!”

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