Saudade ninguém explica
Embora o poeta tente
Junta palavras em versos
Falando da dor que sente
Às vezes é aplaudido
Noutras mal compreendido
Não se abala e segue em frente.
Em sua verve plangente
Impõe ao mundo beleza
Sentindo dor de saudade
O poeta com grandeza,
Enfermo do coração,
Dá asas à emoção
Pra dissertar a tristeza.
Vivendo essa crueza
Com sua face molhada
O poeta junta as letras
Da saudade escancarada
Faz mil versos num segundo
Fingindo pra todo mundo
Que no fundo sente nada.
Meu poeta, “saudade é tudo que fica, daquilo que não ficou”
Exatamente, Assuero!
Jesus, poeta maior das coisas fubânicas,
Faz mil versos num segundo
Fingindo pra todo mundo
Que no fundo sente nada.
Sobre sentir, vamos de Jesus a Fernando Pessoa…
«O poeta é um fingidor; finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.»
Momentos de poesia vão muito bem se acompanhadas, por exemplo, do piano da georgiana Khatia Buniatishvili
Buscarei acordes de Khatia Buniatishvili quando da minha próxima inspiração.
Prometo!
Sim! Copiei e colei o nome dela.
Olhe aí, Luiz Berto, nasce uma colunista.
Corro prum lado e pro outro, invento mil e uma traquinagens, penso infinitas vezes em mil coisas. Crio, imagino e fantasio. Tudo pra que a danada da saudade não aporte e não me derrube de tristeza. Nem as velhas, nem as derradeiras. Obrigada poeta pelos lindos versos. Já vi que não estou só a disfarçar o riso farto.
*…com riso
Gargalhe muito, moça.
Há um infinito de horizontes à sua frente.
E praia jamais lhe faltará.
Eu creio.