Mundico o “dono” do pega-pinto
Estava terminando a década dos anos 50. Lembro bem.
Fortaleza já era a “Loira desposada do sol” – mas ainda não era a atual metrópole.
A capital tinha seus pontos preferidos pelos nativos.
A preferência dos visitantes viria depois. Nos anos 80, com o turismo.
Prefeito Acrísio Moreira da Rocha cortou a fita do crescimento.
Foi sequenciado por Manuel Cordeiro Neto, e, depois, por Murilo Borges Moreira.
Esses, tangidos e emoldurados pelo povo, deram partida para a Fortaleza atual.
Curral das Éguas (ZBM) foi atração. Mercado Central, também.
Três praias mereciam a preferência dos frequentadores: Iracema, Náutico e Meireles.
Praia do Náutico a preferida: ali os estudantes “alugavam” calções de banho e ganhavam “banho de chuveiro” de bônus.
Na orla marítima apenas dois restaurantes: Cirandinha e Peixada do Alfredo.
Liceu do Ceará, Ginásio Municipal de Fortaleza, Ginásio 7 de Setembro, Escola Normal Justiniano de Serpa e Colégio Cearense pontificavam em destaque na formação educacional.
Cine Majestic, Cine Diogo, Cine Samburá, Cine Jangada e Cine Aurora (esse, o único num bairro: Otávio Bonfim) mostravam os filmes.
Fortaleza, Ceará, Ferroviário, Usina Ceará, Calouros do Ar, Maguary e Gentilândia abriram o profissionalismo do futebol cearense.
Rádios Uirapuru, Rádio Iracema, PRE-9, Rádio Assunção noticiavam o dia-a-dia das cidades.
Cid Carvalho, Paulino Rocha dominavam os horários da audiência.
Assistência Municipal de Fortaleza (Hoje Hospital José Frota), Santa Casa de Misericórdia, Maternidade César Cals e Hospital Geral do Exército atendiam as emergências da população.
Mas, naqueles anos passados e saudosos, quase tudo se concentrava em duas praças: Praça do Ferreira e Praça José de Alencar. Praça dos Voluntários, Praça dos Leões e Praça Olavo Bilac não mereciam a mesma frequência.
Praça José de Alencar centralizava os terminais dos ônibus urbanos.
Praça do Ferreira, com seu secular relógio, merecia preferência por conta do “Abrigo” com a merendeira do Pedão da Bananada e discussões de torcedores do futebol; Miscelânea com seu caldo de cana e pastel (carne, queijo e camarão), além, claro, do imperdível “Pega-Pinto do Mundico”.
Pega-pinto em floração
“Pega-pinto, amarra-pinto, erva-tostão, solidânia ou celidônia. Esses são só alguns nomes da Herbácea perene, um tipo de espinafre selvagem, que é facilmente encontrada em calçadas e terrenos baldios na região amazônica.
A pega-pinto é uma planta perene, ou seja, possui um ciclo de vida longo e pode atingir até 70cm de altura. Cresce espontaneamente em áreas abertas e antropizadas, como pomares, hortas, jardins e terrenos agrícolas em geral. Seus frutos são secos e pequenos, revestidos por pelos viscosos que aderem à pele, pelo e pena de animais que entram em contato, daí o seu nome ‘pega-pinto’.
“É uma planta medicinal potente. Uma das plantas mais diuréticas do mundo. Ou seja, com propriedades para a proteção do fígado. Sempre que possível as pessoas devem fazer chá dessa planta ou usar em saladas”, explicou o pesquisador e referência em PANC, Valdely Kinupp, do canal do Youtube.” (Informações compiladas do Wikipédia)
“Batata” do Pega-Pinto
O Sul descobriu e “abrasileirou” o chimarrão. Passou a fazer parte da vida gaúcha.
Rio de Janeiro e São Paulo adotaram o chá gelado de mate. Mate Leão tem domínio.
Fortaleza descobriu que o pega-pinto, além de refrescar, é diurético.
Nos dias atuais não tenho absoluta certeza dessa preferência e da comercialização.
Mas, no calor extremo que a humanidade colocou este planeta, nada melhor que aderir ao “refresco” de uma raiz que preenche alguns itens de cura da humanidade.
Em São Luís, por anos, o pega-pinto era vendido por duas irmãs na Fonte Milagrosa, estabelecimento situado na área tombada do Patrimônio da Humanidade.
Vai?



