O espanador estava ali, jogado a um canto, empoeirado. Cumprira sua missão diária de espanar o pó, a poeira, o sujo. Ninguém sequer olhava para ele. Antes, enquanto penas do pavão bonito, a ave imodesta julgava-se a maior e tratava mal as outras aves, por não serem tão belas quanto. Não imaginava, em seus desvarios, que também a beleza pode ser passageira, que a boniteza das cores pode ser efêmera se não tratada com a dignidade e com o respeito que merecem seus pares.
Depreciou o galo, por não ter toda a sua boniteza colorida. Achava que o capote, em seu branco e preto nada colorido, só agradava a meia dúzia de outros capotes que lhe cercavam e lhe dedicavam amizade. Fazia-se belo para o mundo esquecendo sua origem humilde e tratava com arrogância quem dele discordasse. Pobre pavão. Hoje é apenas um espanador, sujo, que se limita a tentar limpar a sujeira por ele mesmo deixada.
O capote, em preto e branco, continua no terreiro, alegrando os companheiros do sem-cor. E o galo canta todas as manhãs.

Essa bela crônica, penso, é uma metáfora. O Espanador não sei quem é, talvez todos nós brasileiros. Mas o Pavão, tem endereço certo, e ocupa cargo estelar no planalto, em Brasília. Cuidado, mestre Xico, que Alexandre de Moraes não costuma perdoar essas afoitezas. Há braços de seu devoto.
O Ministro de Moraes tem muito mais com o que se preocupa do que com esse pobre escriba, que traça suas mal tecladas linhas deixando ao povo inteligente a missão de interpretar as metáforas proferidas. É o que fez nosso nobre jurista José Paulo. A ele e a todos o meu abraço.