PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Ontem viu-se-lhe em casa a esposa morta
e a filhinha mais nova tão doente!
Hoje o empresário vai bater-lhe à porta,
que a plateia o reclama impaciente.

Ao palco em breve surge… pouco importa
o seu pesar àquela estranha gente.
E ao som das ovações que os ares corta,
trejeita e canta e ri nervosamente.

Aos aplausos da turba ele trabalha
para esconder no manto em que se embuça
a cruciante angústia que o retalha.

No entanto, a dor cruel mais se lhe aguça
e enquanto o lábio trêmulo gargalha,
dentro do peito o coração soluça.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)

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