ALEXANDRE GARCIA

Eu tenho falado aqui do peso moral de uma autoridade quando ela se esvazia. Há um vácuo de autoridade quando há um vácuo de moral. É o caso de Dias Toffoli, que recuou na decisão contra Renan Santos, coincidentemente no mesmo dia em que a Polícia Federal mostrou provas de uma ligação muito íntima entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O ministro do STF aparece como consultor, conselheiro, até quase um advogado de Vorcaro, que dá R$ 300 mil em cartão de crédito para cada filho de Moraes, negocia jatinhos com a mulher de Moraes, faz um contrato de mais de R$ 130 milhões, revisado no computador de Moraes. Apareceu até o procurador-geral da República dizendo que estava com saudades de Vorcaro!

Felizmente, apareceu também uma referência de legalidade no Supremo: o ministro André Mendonça. Com base na Constituição, ele diz que o Supremo é o tribunal que julga por crimes comuns os ministros da corte, que há indícios fortíssimos, que é preciso investigar, que a Constituição exige moralidade e publicidade, e que por isso ele precisa pôr tudo às claras. Agora, o Supremo vai ter de tomar uma atitude – e o Senado também.

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Algumas escolhas de Flávio Bolsonaro estão confundindo os apoiadores

Está causando estranheza em muitos dos seguidores de Flávio Bolsonaro esse anúncio de prováveis ministros que já apoiaram Lula. Primeiro foi o ministro da Saúde, Cláudio Lottenberg, diretor do Hospital Albert Einstein, o que não agradou a uma grande parte dos seguidores de Flávio. Agora, diz o noticiário que Flávio teve um jantar com banqueiros, e o anfitrião foi um banqueiro que, na última eleição, apoiou Lula e criticou muito o pai de Flávio, Jair Bolsonaro: é Marcelo Kayath, de uma dessas financeiras que administram fundos. Ele foi apresentado a Flávio como indicação para ser ministro da Fazenda; estavam lá Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco; Milton Maluhy Filho, do Itaú; Gilson Finkelsztain, do Santander; Roberto Campos Neto, do Nubank; Richard Gerdau, da Gerdau; e João Camargo, do Esfera Brasil.

Daniela Marques também estava presente; quando disseram que ela seria um bom nome para a Casa Civil, que gerencia a ligação entre o presidente e os ministérios, houve aplausos, segundo o noticiário. O anfitrião Kayath diz que já recebeu lá, em outros tempos, Ronaldo Caiado, ACM Neto, Fernando Haddad, Guilherme Boulos. Ele é um violonista clássico e formado em Business (o que seria Negócios, ou Economia) em Stanford, nos Estados Unidos.

Essas coisas dão o que falar porque há determinadas aspirações entre os eleitores de Flávio. E essa é a grande questão da necessidade de reformas políticas no Brasil: aproximar mais o eleitor, o cidadão, o pagador de impostos dos seus representantes. Ontem eu estava cortando o cabelo e, na cadeira ao lado, dois homens, o barbeiro e o cliente, só falavam em futebol. Fiquei pensando que o pessoal no Congresso Nacional deve estar muito satisfeito quando os eleitores não saem de um estádio de futebol, porque assim eles podem fazer o que querem, mesmo não sendo os mandantes. Os mandantes estão no estádio, esperando um gol, mas o gol não vai mudar nada no dia seguinte, enquanto um voto no Congresso muda a vida dos filhos e netos desses torcedores. Precisamos de politização, de informação, porque vejo que 30 milhões a 40 milhões de eleitores não devem participar da eleição, não estão interessados. E eles são decisivos. Os que têm mais de 70 anos, e os que têm 16 e 17 anos, que não precisam votar, deveriam votar. Não deixem que os outros escolham o futuro de vocês.

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