CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Microempresário, numa crise econômica de arrombar a tampa do caneco, sendo pressionado pela esposa, que exigia o dinheiro para a despesa familiar; pela amante, que exigia dinheiro para manter a ostentação; e pelo empregado, que exigia o dinheiro dos três meses de salários atrasados, procurou um tatuador para tatuar uma cédula de cem dólares na pica. E o tatuador disse que não podia fazer. Que ia doer muito. Que o microempresário não ia suportar a dor e patati patata!

Mas o microempresário insistiu. Dizendo ao tatuador que precisava se livrar da mulher, que só pensava em dinheiro. Da amante, que só pensava em sugá-lo. E do trabalhador, que só pensava em acioná-lo na Justiça do Trabalho por causa dos salários atrasados.

Pressionado, o tatuador alertou:

– Olhe, vai doer muito. O senhor não vai suportar a dor. Mas, mesmo assim, ainda que mal lhe pergunte, por que o senhor quer que se tatue uma cédula de cem dólares justo no… no… no… na… na… na bimba?

Aí o microempresário, já não suportando as pressões que vinham de todos os lados: da esposa, da amante e do empregado, desabafou:

– É que eu quero fuder com minha mulher, que só pensa em gastar. Fuder com minha amante que só pensa em ostentar e fuder com meu empregado, que só pensa em me fuder na justiça para receber os salários atrasados. Sacou por que eu prefiro a dor da tatuagem uma só vez na pica do que a pressão no meu testículo todos os dias?

– Bem, se forem esses os seus motivos – disse o tatuador – o senhor está mais do que certo… Comigo aconteceu o mesmo, só que eu me abestalhei e engoliram tudo: carro, casa, apartamento, aplicação em fundos, e hoje estou na merda, tudo por causa de uma “sucuruceta”!

A “sucuruceta” que engoliu tudo do tatuador

4 pensou em “O MICRO EMPRESÁRIO, O TATUADOR E A “SUCURUCETA”

    • Eita que “sucuruceta” é bão dimais da conta, sô, mas (faminto mas), se o cabra dormir no ponto, o “gosmento bicho” leva carro, casa, fazenda, apartamento, aplicação em fundos e o que mais tiver o desafortunado.

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