Minha mãe gostava muito de cantar enquanto passava a roupa da família, em cima da mesa onde comíamos nossas refeições.
Ela só fazia uma pausa quando tinha que soprar, pelo buraco do ferro de engomar, o carvão em brasa que estava lá dentro.
Uma das músicas que Quiterinha cantava sempre era “Menino de Braçanã“.
E eu, menino, me apaixonei por aquela música que tinha a palavra “menino” no título.
Com o passar dos anos, descobri o nome do autor e, a partir de então, Luiz Vieira, um pernambucano de Caruaru, se tornou um dos meus ídolos.
Nos anos 70 ele fez uma apresentação numa churrascaria que ficava às margens do Lago Paranoá, em Brasília, e foi quando eu o conheci pessoalmente.
Lembro-me que naquela noite bati o recorde da casa: tomei 18 doses de caipirinha, enquanto ouvia embevecido suas interpretações.
Ontem, dia 16 de janeiro, Luiz Vieira encantou-se com 91 anos de idade.
E eu passei o dia ouvindo suas músicas, todas elas inspiradas, tocantes, envolventes.
Paz do Meu Amor, Prelúdio pra Ninar Gente Grande, Menino Passarinho, Inteirinha, Guarânia da Saudade…
Sujeito talentoso que só.
Descanse em paz, seu cabra!
É muito difícil qual é a mais bonita .É mais um que vai fazer muita falta neste país
Todas muito boas , Luiz Vieira fará falta para quem gosta de boa música .
A música popular brasileira, ficou mais pobre. O nosso menino passarinho, voou para o Nirvana .Vá com Deus, Luiz Vieira.
…”Coisa esquisita é trem
Quando sai pra uma cidade
Pra uns ele leva alegria
Pra outros deixa saudade”… – Maria Filó (Danado do Trem) – Luiz Vieira.
O Menino Passarinho foi alegrar o Céu, mas deixou muitas saudades…
Trabalhei com música (digo verdadeira e poética música brasileira ) por muitos
anos e posso afirmar que LUIZ VIEIRA sempre foi uma unanimidade musical,
para as pessoas com bom gosto para música e letras de poemas musicais.
Luiz Vieira está voando com os seus passarinhos angélicos.