XICO COM X, BIZERRA COM I

… e o homem um dia resolveu plantar palavras: cavou fundo a fenda, escolheu bem as sementes, viu-as germinar e depois regou as letras, adubando-as com vírgulas, pontos, circunflexas interrogações. Viu nascer sua planta: parido estava o livro, a florescer, vingado.

Colheu parágrafos tantos e os sorveu, regando páginas por ele mesmo plantadas. Não satisfeito, deu-as ao leitor, recomendando as lêsse como se bebe um bom vinho, lenta e pausadamente, acariciando cada linha, abraçando cada parágrafo, cheirando cada caule, respirando cada flor.

Depois, o merecido descanso, da mão, do homem. Pronta, restou sua obra, igual a ele próprio: jardim cheio de flores, de algumas exclamações e de muitas reticências … até o ponto final. Alguns enxergaram espinhos. Eles, os há. É da natureza da natureza. E dos livros. Nem só de leveza eles vivem, livros e natureza.

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  1. Meu tri-acadêmico, jurista imortal:

    Quisera ser imortal
    Tal qual doutor Paulim
    Mas sou um cabra normal
    Talento, só um poukim
    Mas um dia, sem malícia,
    Aprendo com dona Lecticia
    A escrever um tikim …

  2. Ajustando a métrica:

    Meu tri-acadêmico, jurista imortal:

    Quisera ser imortal
    Tal qual doutor ZéPaulim
    Mas sou um cabra normal
    Talento, só um poukim
    Mas um dia, sem malícia,
    Aprendo com dona Lecticia
    A escrever um tikim

  3. Não sou um “morde e assopra”, mas, taí um “Xico” que merece respeito. Me lembro de alguns anos atrás, lá nos confins do meu sertão alagoano, quando meu irmão, que também se chama Chico, declamava coisas lindas e eu extasiado, exclamava: nossa, que bonito! Quem disse isso? E ele, todo orgulhoso respondia: Xico Bizerra, meu xará. E eu aplaudia. Hoje em dia os aplausos são bem menos. Porcaria de política.

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