Sabem aquelas cenas de filmes de terror que, no início, causam grande susto, mas depois de tanto se repetirem anestesiam os espectadores e deixam de espantar? Pois é. Uma nova cena se aproxima, mas, dada a canastrice dos atores e diretor, não surpreende mais ninguém.
Sim, é da indicação de novo ministro do STF que estou falando. A aposentadoria precoce, (deserção?) de Barroso, deu ao presidente a oportunidade de dirigir mais uma cena. O susto da vez é o atual AGU, Jorge Messias, o “Bessias”. Para quem não se lembra, trata-se daquele estafeta que levou o “papel” enviado por Dilma para manter Lula fora do alcance da justiça. Este foi o auge de sua carreira.
Salvo grande surpresa, o senado, que tem a prerrogativa de rejeitar o indicado, deve referendá-lo, e Bessias influenciará o destino dos brasileiros por longos anos, até que complete a idade de aposentadoria compulsória, renuncie ou nos faça a gentileza de se encantar.
Dito isso, o que se pretende tratar aqui é de como a reputação ilibada e notórios saber jurídico saíram de moda para chegarmos à situação em que a principal corte da república foi reduzida a um de mero despachante dos desejos de uma minoria barulhenta, ideológica, quiçá criminosa. Caso este texto cumpra seu objetivo, talvez eu ofereça uma possível explicação. Sigamos.
A infiltração política do supremo tem data de nascimento: 06 de junho de 2005. Foi quando veio à tona o famigerado mensalão, que deu origem à ação penal 470, que julgaria os envolvidos no maior escândalo político do século.
Ocorre que políticos com foro especial jamais cogitaram parar de delinquir; a chegada e permanência de bandidos nos altos cargos da república parece estar no DNA de nossa democracia.
Assim, presidentes; deputados; senadores e outros menos votados perceberam que, a partir dali, cedo ou tarde poderiam acabar no banco dos réus diante de ministros; daqueles com “M” maiúsculo. Melhor então que as togas estivessem recheadas com prepostos; meros cumpridores das vontades dos acusados.
Carmem Lucia inaugurou o mergulho, sendo nomeada por Lula, é claro, em 2006. Daí em diante foi ladeira abaixo, culminando com Flávio Dino. Ao todo, o PT nomeou seis ministros, e chegará à sete com a certa aprovação de Bessias.
Com a eclosão do petrolão, não foi com surpresa que o STF iniciou um processo que, em primeiro lugar, tirou Lula da cadeia, ao mudar entendimento sobre o início do cumprimento da pena a partir da condenação em 2ª instância. Em minha opinião o julgamento foi pautado apenas para beneficiar o então ex-presidente.
Depois iniciou-se o desmonte da lava-jato. Neste ato brilharam Carmem Lucia e Fachim. Ela por mudar o voto que garantia a manutenção da condenação de Lula, sob justificativa de que o Juiz Sérgio Moro havia agido com parcialidade. Ele, por aplicar o conto do CEP e anular o julgamento por incompetência de foro. Estava aberta a porteira da cadeia, todos os bois políticos saíram. Mérito sobretudo de Toffoli. Missão cumprida, o supremo restou desfigurado; deformado e subserviente.
Como tudo pode piorar, os donos do regime perceberam que agora tinham um órgão com poderes quase ilimitados, e passaram a usá-lo contra seus adversários além de tutelar e moldar a sociedade à sua imagem e semelhança.
A cena inaugural desta fase ocorreu na cerimônia de posse de Bolsonaro, quando Carmem Lúcia, em seu discurso falou em ditadura e democracia, dando o mote que seria usado para o que viria a seguir: Cassações, prisões e todo o tipo de perseguição em “defesa da democracia”.
Assim chegamos ao atual estado de coisas e assim permanecerá por muito tempo. Como sair disso? Bem, esta coluna já está longa demais e, se eu disser o que penso sobre como acabar com isso, sou capaz de ser mandado pra Papuda. Melhor encerrar por aqui.
Em tempo: semana passada, enquanto escrevia este texto, recebi a notícia do falecimento de minha mãe; estava bem lúcida aos 93 anos. Ao menos Deus lhe poupou o desgosto de ver a posse do estafeta.
Artigo excelente, além de toda expectativa! Certamente faltariam muitos detalhes na completa elucidação do que foi o conluio PT/STF, mas ninguém iria aguentar…
A solução também é óbvia — e evidentemente haveria de nos levar a todos para as masmorras do “sistema”,..
Que Deus, Alá, Buda, Amaterasu e Shiva nos protejam!