JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

General Dureza

Hoje nosso passeio será diferente de tantos outros. Vamos esquecer o VLT, passear de mãos dadas com a imaginação. De bonde, trem ou charrete. Façamos o check-in e uma boa viagem, entendendo as mudanças que passaram por nós nessa breve caminhada no planeta Terra. Vamos falar do “generalato”, posto alcançado por direito, empenho, e merecimento.

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GENERAL DUREZA

Amos Dureza (General Amos Halftrack – em inglês, que é o nome original) é um general de mentirinha. De verdade, apenas na “tirinha”, a impagável criação de Mort Walker, início da década de 50, quando a criança se assumia como criança – embora também já soubesse à qual gênero sexual pertencia. Diferente dos dias atuais.

Na linguagem popular (“no popular”) utilizada no Brasil, general Dureza é um verdadeiro “pau mandado” – obedece cegamente a mulher, Martha. Alcóolatra, mais preguiçoso que baiano e maranhense juntos. Ama o golfe, e o “grode”. É um verdadeiro bundão – embora o nome de guerra, Dureza, seja uma ironia.

Um aforismo dedicado ao Recruta Zero, que cai como uma luva na vida do general Dureza: Never let to tomorrow what you can do the day after tomorrow (“Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã”).

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GENERAL DA BANDA (BLECAUTE)

Blecaute (General da Banda)

Otávio Henrique de Oliveira nasceu em Espírito Santo do Pinhal/SP, a 5 de dezembro de 1919, e faleceu no Rio de Janeiro, a 9 de fevereiro de 1983. Fez sucesso como cantor e compositor brasileiro. Era conhecido pela alcunha de “General da Banda”, devido a seu maior sucesso, a marcha de carnaval homônima.

Quando tinha apenas 6 anos de idade, ficou órfão de pai e mãe, foi levado para São Paulo por conhecidos amigos da família. Na luta pela vida e pela alimentação diária, foi engraxate e jornaleiro.

Em 1933, então com 14 anos, participou do programa de calouros A Peneira de Ouro, na Rádio Tupi. Oito anos depois, isto é, em 1941, já cantava na Rádio Difusora, adotando o nome artístico de Black-Out, mais tarde aportuguesado para Blecaute. Apesar de ser um apelido francamente racista devido a cor de Otávio, ele aceitou como já tinha aceitado coisas piores anteriormente.

No ano de 1942, foi contratado pela Rádio Tamoio, e mudou para o Rio de Janeiro. Democraticamente, e sem contrato de exclusividade, apresentava-se também nas rádios Mauá e Rádio Nacional.

Finalmente chegou o carnaval de 1949, e esse trouxe os grandes sucessos “O Pedreiro Valdemar” (de Wilson Batista e Roberto Martins) e “General da Banda” (Tancredo Silva, Sátiro de Melo e José Alcides), que lhe valeria a alcunha que carregaria para o resto da vida. Blecaute faleceu no dia 9 de fevereiro de 1983, antes mesmo de atingir todas as estrelas do generalato.

“Chegou o general da banda, he he
Chegou o general da banda, he a, he a
Chegou o general da banda, he he
Chegou o general da banda, he a, he a
Mourão mourão
Vara madura que não cai
Mourão, mourão, mourão
Catuca por baixo que ele vai
Mourão mourão
Vara madura que não cai
mourão, mourão, mourão
Catuca pro baixo que ele vai
Chogou o general da banda, he he
chegou o general da banda, he a
General, general
Chegou o general da banda, he he
Chegou o general da banda, he a
General, general
Mourão mourão
Vara madura que não cai
Mourão muorão
Catuca por baixo que ele vai.”

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GENERAL NEWTON CRUZ

General Newton Cruz

Esse, um general de verdade. Saído das fileiras do Exército Brasileiro. Nasceu a 30 de outubro de 1924, no Rio de Janeiro. Newton Cruz atingiu o generalato (Divisão), após ter sido Comandante de várias unidades do Exército, chegando ao Comando Militar do Planalto e ao SNI (Serviço Nacional de Informações).

Newton Cruz é um general de divisão reformado do Exército Brasileiro, notado por sua participação nos serviços de repressão da Ditadura Militar no Brasil entre 1964 e 1985.

Formado pela Escola Militar do Realengo na Arma de Artilharia, Newton Cruz era companheiro de turma do também General Otávio Aguiar de Medeiros, posteriormente seu companheiro na vida político-militar. Em 31 de março de 1964, ele frequentava a Escola de Comando e Estado-Maior (ECEME) na Urca, Rio de Janeiro, quando se iniciou a Ditadura Militar. Newton Cruz foi chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, entre 1977 a 1983, e do Comando Militar do Planalto.

Em um número de ocasiões foi acusado de crimes cometidos ao longo de sua carreira no Exército. Notadamente, foi acusado pela morte do jornalista Alexandre von Baumgarten, baseado no testemunho do bailarino Claudio Werner Polila. O general negou seu envolvimento e afirmou ter recebido informações sobre a identidade daquele que seria o responsável pelo assassinato, porém negou-se a revelá-las.

Por longo tempo, Newton Cruz foi relacionado ao atentado a bomba do Riocentro, ocorrido em 30 de abril de 1981. Sobre esse atentado, Newton Cruz afirmou que o grupo de militares envolvidos atuou de modo independente com o objetivo de soltar a bomba nas imediações do evento, e que o atentado não tivera a intenção de matar ninguém, teria sido apenas um “ato de presença”. Em entrevista para o canal de televisão por assinatura Globo News, o general disse que impediu um outro atentado, planejado na sequência do Atentado do Riocentro, extrapolando as funções de seu cargo.

Em maio de 2014, Newton Cruz foi denunciado, juntamente com quatro oficiais da reserva do Exército e outros dois réus, por crimes no atentado a bomba no Rioentro, em 1981. Contudo, em julho de 2014 recebeu habeas corpus emitido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por este ter considerado que o crime já estaria prescrito. (Alguns dados foram obtidos no Wikipédia)

4 pensou em “O GENERAL

    • Arael, são incontáveis as vezes que já flagrei pessoas de bem e do bem, clamando pela ação de um general Newton Cruz. Com certeza, os “onze generais” não estariam fazendo o que fazem, todos os dias e deixam todos calados. Parece que faltam culhões – e justificam com a tal da estratégia do politicamente correto.

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