Dia sim e outro também a gente toma um sobressalto com tudo que acontece nesse país. Não parece termos outro assunto que não envolva o STF, particularmente, Alexandre de Morais. O que mais me surpreende é que tudo isso que envolve o banco Master, no discurso dos candidatos do governo atual é obra da extrema direita desse país. A culpa pelo volume de corrupção impetrada por Daniel Vorcaro é de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, poque foi durante sua gestão que Vorcaro teve autorização para adquirir o banco Máxima e daí passou para Master.
Dois fatos, creio, devem ser analisados com bastante cuidado. O primeiro foi noticiado por William Waack no seu programa da CNN e relatava que o STF, através do marqueteiro da campanha do atual presidente, mandou um recado duro e seco: “Não se afaste do STF. Nós temos mais da metade do PT da Bahia em nossas mãos e você só governa com a nossa ajuda.” A gente poderia dizer que isso é estarrecedor, mas é apenas fruto de um país que não soube, e não sabe, escolher seus representantes.
Isso traz para centro do debate uma questão de fundamental nas eleições desse ano, mas que deveria ter sido observada nas eleições anteriores: a eleição para o senado é muito mais importante do que a eleição para a presidência. O presidente do senado, Davi Alcolumbre, nunca terá coragem de aceitar um pedido de impeachment de nenhum dos ministros do STF porque ele sabe que no dia seguinte seus processos sairão das gavetas e irão ao plenário e serão julgados em uma semana.
Ao longo do tempo, o Brasil tem eleitos pessoas entranhadas com atos ilícitos. Tanto o presidente da câmara, Hugo Mota, quanto o presidente do senado – do congresso – são políticos com o rabo preso por desvios de conduta com a coisa pública. Semana passada teve uma famosa reunião na casa de Alexandre de Morais, reunindo o presidente da república, seu advogado que virou ministro e os presidentes da câmara e do congresso. Qual o foi prato principal? Uma forma de escapar desse lamaçal que envolve todo mundo.
É nesse ponto que apresento o segundo fato: o pedido de Alexandre de Morais para que o presidente do STF incluísse André Mendonça no inquérito das fake News ou como é conhecido, no inquérito do fim do mundo. Sem esquecer que a PGR solicitou o arquivamento das denúncias contra Morais alegando vício no processo, dentre os quais a ausência da PGR e do Ministério Público na denúncia, como se isso fosse algo inédito no Brasil. O próprio inquérito do fim do mundo, foi aberto no STF, sem PGR e sem MP, por Dias Toffoli e entregue a Alexandre de Morais, sem a distribuição aleatória. Com base nele, a fonte de um jornalista maranhenses foi exposta violando o sagrado direito constitucional do anonimato.
A ameaça a Lula preocupa porque ter um presidente submisso ao judiciário, que deve inúmeros favores ao que fizeram por ele não apenas no campo político, mas também no pessoal como a mudança do foro da lavo jato ou mesmo os R$ 18 milhões de impostos que a receita entendeu que seria devido pelo instituo do presidente, posto que como empresa sem fins lucrativos, não poderia haver distribuição de lucros. Esse processo foi anulado por Gilmar Mendes.
Esse cenário mostra duas coisas preocupantes: a primeira é o presidente sem moral diante das investidas do STF e nesse instante ele precisa cegamente do supremo para livrar seu filho das denúncias de tráfico de influência e de enriquecimento ilícito no caso que envolve o INSS e as influência intensa de Roberta Luchsinger. É preciso ter esses ministros para dizer que não há provas com o filho do presidente e que tudo não passou de meras ilações para atrapalhar sua reeleição.
O segundo fato é tão preocupante quanto. O próximo presidente do STF será Alexandre de Morais e seu poder será 9 vezes maior do que hoje apresenta. Embora se tenha inúmeras provas materiais de sua participação apoiando Daniel Vorcaro, como a questão da revisão do contrato entre o banco e escritório de sua mulher, todo dia surge um fato novo: seus filhos ganharam o cartão de crédito com limite de R$ 300 mil. Só isso. Tudo pago pelo banco Master, mas a culpa é da extrema direita.
O risco mais intenso que o Brasil corre agora é que Alcolumbre aceite um pedido de impeachment contra André Mendonça. Não custa lembrar que quando André foi indicado, o presidente do senado era Alcolumbre e ele segurou por mais de 3 meses a votação por puro sentimento de vingança. Seu argumento era que André Mendonça, como ministro da justiça havia apoiado a lava jato.
Esse é Brasil atual. O caso do Master ainda vai respingar em muita gente. Nicolas Ferreira, por exemplo, teve áudio divulgado em conversa com Vorcaro. Certa ocasião foi divulgada uma notícia que dizia que o número do telefone de Nicolas estava na agenda de Vorcaro e aqui mesmo, nesse espaço, eu disse que isso significava pouco. Nicolas não tinha capacidade de influenciar nenhum interesse de Vorcaro junto ao governo. Agora, André Mendonça mostrou nota fiscal de uma compra feito numa alfaiataria e imediatamente divulgaram que pessoas ligadas a Vorcaro estiveram nessa alfaiataria com Mendonça e que após essa sua visita a alfaiataria recebeu R$ 500 mil do banco Master.
Enquanto o Brasil não definir o papel das relações de empresas com o governo, a gente vai se chocar com os labirintos podres da corrupção. Enquanto elegermos corruptos, não teremos chance de mitigar a corrupção. Cada eleição é uma oportunidade. Vota num cara e se ele fez merda, não vota mais. É simples.