A PALAVRA DO EDITOR

O Natal é uma das principais datas comemorativas do calendário ocidental, festejado na virada do dia 24 para o dia 25 de dezembro. Na cultura cristã, a festa relembra o nascimento de Jesus Cristo, em Belém, na atual Cisjordânia. O feriado festivo do Natal é marcado pela religião e, por isso, nem todos os povos absorvem a tradição de celebrar a data.

Culturas como o budismo, islamismo, hinduísmo, taoísmo, judaísmo são algumas nas quais o significado do nascimento de Cristo não se coaduna com a prática cristã. Países islâmicos como Paquistão, Indonésia, Turquia, Egito, Líbia, Irã dão maior relevância aos ensinamentos de Maomé, profeta que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C. – posterior a Jesus -, vindo à Terra para completar a sua mensagem.

Os muçulmanos aceitam a figura de Jesus Cristo como um dos cinco profetas que vieram trazer a palavra de Deus ao homem. Por conta disso, eles mantêm apenas uma relação de respeito com a data, sem a considerar sagrada na sua crença.

Já os países que adotam o budismo, como Vietnã, China, Coréia do Sul, Cingapura, Tailândia, Japão, não se envolvem com a característica particular do nascimento de Jesus Cristo. Eles respeitam a data, porém, Jesus para o budismo é um ser de grande sabedoria que sugere uma prática espiritual elevada.

Entre os judeus não se comemora nem o Natal nem o Ano Novo nos moldes cristãos. Apesar de reconhecerem que Jesus existiu, não cultuam relação de divindade com ele. Em Israel a comemoração de final de ano é o Chanucá ou Hanucá, que significa Festa das Luzes, em hebraico, e lembra as vitórias contra a opressão, a discriminação e a perseguição religiosa sofrida pelo povo judeu.

E para nós brasileiros, qual o verdadeiro significado do Natal? O que extraímos das comemorações do nascimento de Cristo? Quais lições ou interpretações deveríamos absorver no transcurso da data religiosa mais festejada por nosso povo?

Dois mil e vinte anos depois será que entendemos a essência da razão do profeta, filho de Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade, ter vindo ao mundo para pregar o Evangelho e dar a sua vida para nos salvar. Será que esquecemos a mensagem de sua viagem à Terra ou estamos misturando as narrativas dos fatos.

No Brasil, o Natal mais parece uma festa mercantilista do que uma veneração ao Menino Jesus. Tudo bem que a árvore de Natal traduza a vida – o pinheiro significa vida porque é um dos poucos arbustos que se mantém verde mesmo no inverno. Já o Papai Noel, significa presentes. Ótimo!

Acontece de o velhinho e a árvore serem mais lembrados que a razão da data: Jesus Cristo. Ninguém quer ser fotografado ao lado da manjedoura; crianças e adultos preferem o colo de Noel. Nenhuma preparação preliminar, penitência ou sacrifício são vistas. Apenas a missa natalina, desde que seja rápida para nada se perder dos comes e bebes e da troca de lembranças entre familiares.

Dá-se mais tempo às comemorações mundanas, que aos momentos de oração, solidariedade, caridade e adoração ao Cristo Redentor. Confraternizações, cores, luzes tudo isso é salutar, até necessário, pois são encontros com entes queridos no seio de lares amados e relacionamentos sagrados.

Ainda assim reflitamos sobre esta questão: Será que vivenciamos corretamente o espírito do Natal, quanto à religiosidade e ao amor à Família de Nazaré?

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