O ELDORADO NA PONTA DO DEDO

Fui apresentado à cinematografia em 1942, quando contava cerca de seis anos. Meu tio Érico Carlos Dantas de Oliveira preparou uma festa para celebrar o aniversário de minha priminha, Lucy, de idade semelhante à minha.

Tia Mariita e seu marido moravam na Torre e tendo a casa amplo terraço lateral, ali se instalou um cinema improvisado. Os convidados se acomodaram em cadeiras e bancos. A criançada sentada e os adultos de pé. Era grande a expectativa dos pequeninos. E muitas indagações.

Aquele meu saudoso tio, para encantar a esposa, os filhos e seus amiguinhos, alugou uma empresa que rodava filmes nas residências. A meca do cinema se tornou uma atração. Mas, só fui conhecer aquele “mundo encantado” depois de adulto.

Mas voltemos à década de 40, quando ocorreu meu primeiro encontro com a Sétima Arte. Naquele dia mágico de minha infância me identifiquei com uma grande tela, onde surgiram os já famosos artistas: Stan Laurel e Oliver Hard, mais conhecidos como “O Gordo e o Magro”, cuja fama já percorria o mundo. A trilha musical era ouvida por acordes de piano, e sendo o filme ainda mudo, os pequenos espectadores tinham que entender o que se passava através dos gestos. Tempos depois, já pré-adolescente, fiquei habituado a ir todos os domingos ao Cinema Eldorado, situado no Largo da Paz.

No início da década de 50 já se exibiam os filmes legendados nos vários cinemas do Recife. Mas nos incomodava muito porque não raro perdíamos detalhes de uma cena, pois tínhamos que soletrar as famosas “legendas de João Branco”.

Quanta diferença tecnológica! Meus filhos ainda chegaram a ver os filmes em “Terceira Dimensão”, que eram apresentados no Cinema Art Palácio. O progresso deu pulos. Em dias atuais já funcionam várias salas oferecendo exibições em 3D, com óculos especiais.

Meus bisnetos, hoje rapazes, podem obter a visão de imagens cinematográficas apenas dispondo de um smartphone. Que maravilha!

Ao simples manejo dos dedos Logan, Lucas, Set e Isabela Telga, podem dispor de filmes notáveis, por livre escolha a custo insignificante.

Ah!… Como teria sido bom se eu tivesse – na época de infância – o Eldorado na ponta dos dedos!…

Na Calçada da Fama, um super-herói meio fajuto. Marca de um tempo

Deixe uma resposta