MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Texto dedicado a Rômulo Angélica

A opção política de não ser esquerdista, de não declarar voto em Lula ou chama-lo de ladrão gerou um tipo de censura absurda por parte dos principais segmentos de comunicação e com isso por parte de jornalistas de diversos veículos, todos eles afinados com esse pensamento esquerdista. Multiplicaram-se Chico Pinheiro, Miriam Leitão e seu filho Matheus, Ricardo Noblat e seu filho, Vera Magalhães e até o Marcos Uchôa que ensaiou uma candidatura pelo PT e desistiu porque não lhe deram dinheiro para campanha. Marcos foi capaz de dizer, numa entrevista, que a corrupção praticada pelo PT era normal porque ele testemunhou o que a esquerda fez na Inglaterra.

Tudo bem que todos esses produtos do meio são pagos para atender o interesse da ideologia que professam enquanto isso for coincidente com os interesses do seu chefe, seja ele imediato, seja ele dono do jornal, da rádio ou televisão. Um dos casos mais emblemáticos que eu considero é o de Miriam Leitão. Como se sabe, Miriam participou da luta armada, chegou a participar de um assalto a uma agência do Banespa de onde foi roubado algo da ordem de R$ 800 mil, em valores atuais. O dinheiro era destinado a financiar ações da guerrilha. O fato é que Miriam sempre se levantou contra os apoiadores do regime militar e trabalha, há anos, na Rede Globo de Televisão, que desde o primeiro momento se colocou a favor das ações do governo militar. Se tivesse dignidade, não pisaria na Rede Globo, mas não tem e com isso convive pacificamente com essa contradição.

Cabe lembrar, todavia, que esse pessoal cobre a economia, a política, etc. e até se compreende suas ações, mas quando vem um cara de fora do meio, que é pago para falar de futebol e começa a destilar veneno contra quem pensa diferente dele… santa paciência. Estou falando de Walter Casagrande. O cara saiu da equipe de comentaristas da Rede Globo por conta de suas associações políticas a diversos jogadores, particularmente Neymar Jr. Ele desenvolveu um ódio gratuito por Neymar, apenas porque este se declarou apoiador de Bolsonaro.

Casagrande disse que Neymar era “alienado e incoerente” por apoiar “o candidato mais preconceituoso da história política brasileira, que já soltou falas homofóbicas, machistas e obviamente racistas”. Lula já soltou pérolas como “cadê as mulheres de grelo duro?” ou quando disse que Pelotas exporta viados, mas Casagrande não ouviu. O fato é que em momentos totalmente fora de contexto, Casagrande soltava uma pérola associada a política, como num jogo contra o Chile no qual ela ao invés de falar sobre o desempenho da seleção chinela, preferiu tecer comentários sobre o regime político do qual o Chile saíra.

Recentemente, Casagrande falou sobre um churrasco que jogadores e ex-jogadores comeram: carne com ouro. Pode ser ostentação? Sim. Ele sabe o contexto? Não. Ele só sabe criticar. Chegou a dizer que no Brasil se trabalha para comer carne e não carne com ouro. Está certo: no Brasil. Os caras estão no Qatar e lá isso pode ser uma tradição, uma preferência, seja lá o que for, mas Casagrande não sabe. Se Galvão Bueno tivesse participado disso, Casagrande não daria uma palavra sequer porque iria de encontro aos interesses daquele que foi seu chefe, por anos.

O fato é que perdemos a autoridade de nos pronunciarmos, de nos colocarmos contra um pensamento de esquerda. No domingo que teve início a Copa do Mundo eu estava viajando para ações de um projeto e parei para almoçar em Garanhuns e foi olhando as mensagens. Num grupo de zap formado por amigos um deles criticou o apoio de pastores a Bolsonaro. Eu perguntei como ficaria o caso de apoio de parte da igreja católica a Lula. Nenhuma resposta. Depois iniciou uma crítica aos espíritas que “endeusam” pessoas que “prometem milagres” numa velada referência a João de Deus, amigo de Barroso. Eu tive que explicar que o kardecista age diferente, não tem ídolos, não tem rituais, etc. Aí veio “a federação espírita apoiou o golpe militar”. Você tem provas disso? Não tinha. Ouviu dizer. Aproveitei para dizer que Wilson Simonal foi considerado dedo-duro, inclusive eu vi Caetano e Gil vestidos de saias no programa de Jô Soares dizer que sabia que tinha sido Simonal quem o dedurou. O tempo mostrou que o cara não tinha nada a ver com isso. Cabe desculpas? Ora, pois.

A imprensa quando erra não pede desculpas. O caso mais cruel foi o que aconteceu com os donos da Escola de Base, em São Paulo, que foram acusados, sem provas, de pedofilia. Passaram 30 dias, a Rede Globo dando larga cobertura ao caso através do repórter Valmir Salaro. Os donos morreram. Eram inocentes.

O que entristece, de fato, é que não podemos nos posicionar. Não temos direito de emitir uma opinião que seja contrária ao pensamento de esquerda. O maior problema é que estamos ficando ilhados, sem caber mais no nosso ambiente de trabalho. Limitam nossos espaços, ofertam oportunidades a pessoas menos qualificadas, mas tudo isso é para manter a hegemonia e domínio sobre todos.

7 pensou em “O DONO DA VERDADE

  1. Todos essas ações em confronto com a logica, com a ética, com o bom senso, com a lei e a Constituição Federal, tudo isso é pela democracia. Acredite!

  2. Entendo a sua frustração, professor Maurício Assuero.

    Tenho um amigo extremamente competente na área de tecnologia da computação numa instituição pública federal e, pasmem!, sequer se posiciona politicamente, mas como é radicalmente sincero nas suas convicções para a aprovação de qualquer projeto que tenha utilidade na prática, é tachado de direitista contrário ao “bom senso esquerdopata.”

    É de dar dor vê-lo lutar tanto contra o sistema implantado no setor onde trabalha, de origem esquerdoide, e, mesmo sabendo que está errado, não vai ter serventia nenhuma, e sua opinião é ignorada.

    “Perdeu, mané!” “Zapa daqui!”

    E há os que aplaudem os debiloides, e são muitos!

    Será que consertamos esse País?

    • È assim meu caro Cícero. Pense diferente que você é gado. Eu tenho muito cuidado com meus grupos. Pra dizer uma coisa, escrevo com bastante cuidado. Olho, releio, etc….

    • Jairo, no fundo a gente não sabe ao certo. Eu não me refiro a foto dela com uma arma na mão, mas do mesmo jeito que alguns rebatem, há registros que assinalam. Tudo bem que parte deles trazem apelidos e fica o benefício da dúvida. Franklin Martins arquitetou o sequestro do embaixador, vera magalhães (não a atual) seduziu empregado da casa do cara para saber da rotina, enfim…obrigado

  3. Querido amigo,
    Quanta honra ter um texto seu a mim dedicado.
    E quanta coragem em ainda se posicionar, bravamente, sem medo de ser perseguido ou cancelado pelos seus pares.
    Um forte abraço

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