Há quem meça a vida pela claridade dos dias, mas João Maria de Luizinho Moita, um meu querido amigo de infância e dos bancos escolares até a 8ª Série, escolheu medi-la pela força da esperança.
Escala o mastro mais alto segurando firme os nós da corda da fé, carregando no vão do peito o cuidado terno à esposa; sendo esse cuidado sua força de equilíbrio. João desafia a gravidade do possível tombo guardando a saudade da filha no coração, sorrindo assim mesmo, não obstante a distância física.
Olhando de fora, o mundo apressado veria um homem sitiado pelas circunstâncias e obrigações.
Olhando de perto, eu vejo um milagre diário de pura resiliência. A personificação da alegria.
Meu amigo João é o homem mais genuinamente feliz que conheço.
Todas as manhãs, antes que a rotina me atropele e o estresse possa me assaltar, ele me envia um punhado de palavras escritas, ou vídeos que produz sem a preocupação de ser técnico. São mensagens despretensiosas? Talvez. Mas são carregadas de uma fé inabalável, de uma gratidão que desafia a escassez e de uma resiliência que flerta com a poesia que ele, naturalmente, declama com sua verve quase inocente de homem. Homem sábio.
Um eterno marinheiro apaixonado pela Marinha do Brasil, que serviu orgulhoso na juventude, e que lhe ajuda a ser o comandante invencível que ele é hoje.
Enquanto muitos de nós naufragamos em pingos d’água, João parece extrair diariamente um mar de esperança da rocha da vida, e coloca o seu navio para singrar sem se abalar com qualquer tormenta.
Suas saudações diárias são faróis que rasgam o meu próprio nevoeiro, lembrando-me de que a paz não é a ausência de tempestade, mas a presença de uma âncora firme, jogada ante um porto seguro. João sabe ser marinheiro no mar da vida. Sabe vencer as procelas do mar do destino.
Esse meu amigo me ensina, sem saber, que a felicidade não é um porto onde se chega quando tudo deu certo; antes disso, é a lente da luneta pela qual se escolhe enxergar a rota, mesmo quando o tempo está deveras nublado e o mar revolto. Ele limpa os meus olhos viciados em querer reclamar, e me devolve a capacidade de agradecer.
Obrigado, meu querido João, por ter sido porto e, ao mesmo tempo, céu limpo nas entrelinhas desses dias.
Por me ensinar que ser feliz é mais fácil quando a simplicidade está segurando o leme da vida.
E que há a luz de Deus até nos dias escuros.
Muito obrigado!