PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Põe a máscara e vai para a folia,
Na afetação de uns gestos singulares,
Esquecida dos íntimos pesares
Que te atormentam todo santo dia…

Mulher doente, perdida nesses mares
Tenebrosos da dúvida sombria,
Vê que há lá fora um frêmito de orgia,
Mesmo através das coisas mais vulgares!

Põe-te a cantar, desabaladamente!
Vai para a rua aos trambolhões, às tontas,
Como se enlouquecesses de repente…

Agarra-te à alegria passageira:
Olha que o que te espera, ao fim de contas,
É o triste Carnaval da vida inteira…

Raimundo Zito Baptista, Monsenhor Gil-PI (1887-1926)

Um comentário em “O CARNAVAL – Zito Batista

  1. Se na época do poeta (início do século XX) o carnaval já era considerado por ele um frêmito de orgia, imagina o que diria do carnaval de hoje.

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