XICO COM X, BIZERRA COM I

Extraído da sabedoria popular

Beira do mar, o homem se balança em sua rede à sombra de um coqueiro,, com seus dois peixes recém-pescados ainda frescos no samburá ao lado. Sombra, água de coco e paz, muita paz. Eis que chega aquele banqueiro rico, em seu iate reluzente, e pergunta ao pobre homem se tinha sido boa a pesca e quantos peixes foram fisgados naquela manhã.

– A pesca foi ótima. Muitos peixes. Pesquei duas ciobas das grandes em pouco tempo. Uma levo pra casa e comemos, eu, a mulher e nossos 4 filhotes. A outra, levo pra barraca de seu Amaro e troco por mantimentos para a família. Arroz, Feijão, farinha e um taco de carne. Dá certinho.

O ricaço, ‘sabido’ e ávaro, ao mesmo tempo, não controla seu instinto e sugere:

– Por que você não pesca ao invés de duas, dez ciobas. Come uma, troca 1 com seu Amaro e vende 8. Com o apurado vai juntando, vai juntando, compra um barco maior, depois pesca 30, amplia a frota, daí a pouco você vai ter um monte de gente trabalhando pra você e aí não precisará mais pescar. Ficará aqui deitado na sua rede, tomando água de coco e vendo o tempo passar.

– Ôxente, mas isso eu já faço pescando minhas duas ciobas diariamente.

Quem é mais sabido, o banqueiro ou o pescador?

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